Mulher lança campanha pública para pagar DNA de paraguaio Lugo

ASSUNÇÃO (Reuters) - Uma mulher que abriu uma ação por reconhecimento de paternidade contra o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, pediu ajuda à população para pagar o exame de DNA previsto no processo, numa campanha que ameaça prejudicar ainda mais a imagem do presidente. Benigna Leguizamón, uma humilde vendedora de detergentes de 27 anos, afirma que teve um filho de Lugo quando este ainda era bispo. Ela pede que o presidente reconheça a paternidade do menino de 6 anos, lhe dê seu sobrenome e pague pensão alimentícia.

Reuters |

Leguizamón moveu a ação contra o presidente dias depois de Lugo ter reconhecido a paternidade de outro menino, de 2 anos, fruto de uma relação com uma jovem de 26 anos que aconteceu quando o presidente ainda era bispo da Igreja Católica, uma revelação que causou escândalo no país e prejudicou a popularidade do presidente.

Leguizamón pediu em quatro bancos a abertura de contas solidárias para recolher os 4 milhões de guaranis (cerca de 795 dólares) necessários para o exame de DNA, numa campanha à qual deu o nome de "Pelos direitos de Fernando", nome de seu filho.

"Estamos buscando maneiras para que alguém que não tenha envolvimento em questões políticas possa nos dar uma ajuda". disse a jornalistas o advogado da querelante, Leong Je Park, depois de mencionar as condições econômicas de Leguizamón, que é extremamente pobre e sustenta seus quatro filhos.

Lugo, que reconheceu apenas ter tido uma relação com Viviana Carrillo -- mãe do menino de 2 anos --, afirmou que acatará qualquer resolução judicial, pediu que o exame de DNA seja realizado num laboratório nacional e que a amostra de seu sangue seja extraída na residência presidencial.

Seu advogado, Marcos Fariña, disse que o presidente não pagará pelo exame, que deve ser financiado por quem fez a demanda judicial e pediu a prova. "Meu cliente não tem porque pagar. Ele não tem a obrigação de subvencionar esse exame", disse o advogado.

Fernando Lugo contina sendo alvo de críticas, com a denúncia feita por outra mulher, esta de 39 anos, que afirmou ter tido uma relação com ele pouco depois de ele ter deixado de ser bispo para dedicar-se à política. Dessa relação teria nascido um menino que hoje tem pouco mais de 1 ano de idade.

O escândalo protagonizado pelo presidente, um socialista novato em política que pôs fim a décadas de governo conservador, o levou a ser condenado por muitos paraguaios, embora vários analistas afirmem que sua gestão será avaliada por suas ações no governo, mais que por sua vida privada.

(Reportagem de Daniela Desantis)

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