Por Estelle Shirbon PARIS (Reuters) - A irmã da primeira-dama francesa disse na segunda-feira que ajudou a persuadir o presidente Nicolas Sarkozy a não extraditar uma italiana que fazia parte Brigada Vermelha, ao contrário do que tinha decidido a corte francesa.

Sarkozy enviou sua mulher, Carla Bruni-Sarkozy, para informar a Marina Petrella sobre a decisão de mantê-la na França, apesar de Sarkozy ter dito no ano passado que encerraria a política de dar abrigo a membros arrependidos da Brigada Vermelha.

Petrella foi condenada em 1992 por assassinato, sequestro, tentativa de sequestro e roubo à mão armada. Ela vive na França há mais de duas décadas e foi presa em agosto do ano passado, a pedido do governo italiano. A corte francesa aprovou sua extradição em dezembro, ordem assinada pelo primeiro-ministro.

Roma há muito tempo pedia à França que extraditasse ex-membros do violento grupo de esquerda, mas o gabinete de Sarkozy anunciou no fim de semana que o presidente reverteu a extradição de Petrella, numa atitude humanitária.

"Eu falei sobre ela a Sarkozy, principalmente depois de tê-la visto na cadeia. Dei a ele algumas informações que talvez tenham sido importantes nesta decisão", disse a cunhada do presidente, a atriz Valeria Bruni-Tedeschi, à rádio francesa Europe 1.

Desde a prisão, Petrella, que nasceu em 1954, caiu em depressão severa, perdendo a vontade de viver e emagrecendo até chegar aos 40 quilos, de acordo com pessoas que a apóiam.

Em uma coletiva, Sarkozy foi questionado sobre por que sua mulher se envolveu neste caso polêmico.

"Minha mulher foi vê-la por uma razão muito simples: eu pedi a ela que fosse. A senhora Petrella corria risco de morte", disse Sarkozy.

Na Itália, Petrella não é bem vista.

"Usar razões humanitárias para justificar a não-extradição de Petrella, membro da Brigada Vermelha...soa como uma piada de muito mau gosto", disse Isabella Bertolini, parlamentar italiana conservadora.

As irmãs Bruni fazem parte de uma rica família italiana que emigrou para a França parcialmente por medo de sequestros. Não ficou claro por que Valeria ou Carla assumiram a causa de Petrella.

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