Mulher de chefe taleban paquistanês é morta por míssil americano

ISLAMABAD - Uma das duas mulheres do chefe taleban paquistanês Baitullah Mehsud foi morta nesta quarta-feira por míssil americano em seu reduto tribal do noroeste do Paquistão.

Redação com agências internacionais |

Em plena madrugada, por volta de 1h30 (16h30 de terça-feira em Brasília), um avião sem piloto dos Estados Unidos disparou um míssil sobre uma casa de um líder religioso que apóia os talebans, o Maulana Ikram-ud-Din, em Laddah, um vilarejo do Waziristão do Sul, segundo diversos responsáveis de segurança paquistaneses.

Os americanos vem bombardeando regularmente, há alguns meses, o Waziristão do Sul, reduto de Baïtullah Mehsud, chefe do Movimento dos Talebans do Paquistão (TTP), que eles consideram uma alternativa chave da Al-Qaeda em zonas tribais semiautônomas fronteiriças do Afeganistão.

O tiro de míssil americano destruiu a casa e matou a filha de Ikram-ud-Din, que Baitullah Mehsud adotou como sua segunda mulher ano passado e que estava dentro da residência, segundo vários responsáveis e a família.

"A administração do Waziristão do Sul confirmou que a filha de Ikram-ud-Din e mulher de Baïtullah Mehsud morreu neste lançamento de míssil", declarou uma responsável da segurança paquistanesa. "O ataque era contra seu marido", acrescentou, sem saber dizer se o chefe taleban estava no local na hora do ataque.

Os chefes da segurança haviam anunciado em um primeiro momento que o ataque matou dois rebeldes e feriu cinco pessoas, entre elas mulheres e crianças. Estes números não foram, entretanto, confirmados por fontes independentes.

Iqbal Mehsud, um sobrinho de Ikram-ud-Din, confirmou a morte da filha deste último, acrescentando que quatro de seus netos foram feridos. Ele acrescentou ter falado com seu tio, que está em boa saúde, segundo ele.

Washington ofereceu uma recompensa de US$ 5 milhões pela captura de Baïtullah Mehsud, morto ou vivo, enquanto Islamabad prometeu US$ 615 mil. O chefe taleban é acusado de estar por trás dos atentados suicidas que ensanguentam o país desde julho de 2007 (quase 2.000 mortos).

Ataques no Paquistão

Desde agosto de 2008, 50 tiros de aviões sem pilotos mataram quase 500 pessoas em zonas tribais, consideradas referências para os talebans, segundo fontes de segurança locais.

Os Estados Unidos, dos quais o Paquistão é um aliado na guerra contra o terrorismo, não confirmam estes dados, mas somente a CIA e o exército americano posicionados no Afeganistão têm aviões sem piloto na região.

Islamabad condena oficialmente estes ataques, em nome de sua soberania territorial e diante de uma opinião pública antiamericana. Inúmeros observadores acreditam, no entanto, que existe um acordo tácito entre os dois países neste assunto.

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