SAN DIEGO - Uma mulher condenada por matar seu marido com arsênico para pagar uma cirurgia de implantes nos seios foi liberada depois que novos testes não mostraram sinais de veneno.

Promotores que preparavam o segundo julgamento de Cynthia Sommer descobriram que amostras de tecido não testadas anteriormente do Sargento da Exército Todd Sommer não possuíam rastros de arsênico. Testes anteriores de seu fígado, apresentados durante o primeiro julgamento, encontraram níveis 1.020 vezes acima do normal.

Um especialista do governo especulou recentemente que as amostras anteriores foram contaminadas, escreveram os promotores em uma moção registrada na Corte Superior de San Diego. O especialistas afirmou ter achado o resultado dos primeiros testes "muito intrigantes" e "fisiologicamente improvável".

O procurador geral do condado de San Diego disse aos repórteres que não havia prova de contaminação mas não ofereceu explicações. Ela disse não saber como o tecido foi contaminado.

"Tivemos um especialista que disse que era arsênico e não vimos razão para duvidar das evidências", disse Dumanis. "A questão era 'havia arsênico no sangue do Sr. Sommer que possa ter causado sua morte?' Nossos resultados mostravam que sim".

Sommer, que está na cadeia há dois anos e quatro meses, deve ser liberada ainda essa semana, disse Dumanis.

Ela conquistou o direito a um novo julgamento em janeiro de 2007 por assassinato em primeiro grau. Um juiz decidiu em novembro que ela não foi representada eficientemente por seu antigo advogado.

Em seu caso, promotores diziam que Sommer usou o seguro de vida do marido para pagar por uma cirurgia de implantes de seio e um a vida mais luxuosa.

Seu advogado, Allen Bloom, disse achar que as evidências tinham sido contaminadas. "Dizemos isso o tempo todo", ele disse aos repórteres.

Bloom acusou o procurador geral do distrito de "enorme negligência".

O primeiro advogado de Sommer, Robert Udell, afirmou que "não esperava isso".

"Como disse desde o primeiro dia, não fazia sentido", disse Udell. "Isso vale para mostrar que há pessoas inocentes na prisão".

O juiz da Suprema Corte Peter Deddeh decidiu no ano passado que Udell errou ao permitir que os promotores mostrassem evidências de que sua cliente havia saído para festas imediatamente depois da morte de seu marido.

O antigo advogado admitiu erros táticos, inclusive a falha em convocar testemunhas que opusessem as teorias dos promotores sobre a origem do arsênico.

Sommer teria enfrentado uma sentença perpétua na prisão sem possibilidade de condicional caso o juiz não tivesse permitido outro julgamento.

Todd Sommer, 23, gozava de ótima saúde quando morreu no dia 18 de fevereiro de 2002, na casa do casal na base militar de Miramar, em San Diego. Eles se casaram em 1999.

Os colegas de trabalho de Sommer testemunharam que a viúva não sofreu silenciosamente nas semanas que seguiram sua morte. Ela colocou implantes nos seios e, segundo testemunhas, participou de concursos de camiseta molhada em boates e manteve relações sexuais casuais com outros militares.

Os promotores diziam que Sommer queria uma vida melhor do que o salário de $1,700 de seu marido poderia conseguir e viu o seguro de vida de $250,000 como uma forma de se "liberar".

Sommer, que mudou para a Flórida depois de perder o marido, chorou no tribunal, quando teve que relembrar os últimos momentos do companheiro. Ela disse também que não via muito futuro ao lado dele.

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