Mujica pede prudência fiscal a futuros ministros uruguaios

MONTEVIDÉU (Reuters) - O presidente eleito do Uruguai, José Mujica, pediu nesta segunda-feira aos ministros que formarão o governo, a partir de março, que mantenham a prudência fiscal com os altos pagamentos da dívida que o país vai enfrentar especialmente em 2010 e 2011. Mujica reuniu-se com os ministros indicados e o vice-presidente eleito, o ex-ministro de Economia Danilo Astori, para discutir passos do novo governo. O presidente eleito vai assumir o segundo período consecutivo da esquerda no poder no Uruguai.

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"Um ponto central (do encontro) foi o desenvolvimento econômico e social do Uruguai, quais são as medidas que temos que tomar para que ocorra assim ... dentro de um marco do que se pode dizer que é a prudência fiscal", disse a jornalistas Enrique Pintado, futuro ministro do Transporte.

"Temos que ser muito rigorosos no cuidado com os números, no cuidado com as contas fiscais. Os primeiros dois anos, dados os compromissos externos que vamos ter, nos obrigam a tomar precauções", acrescentou.

Este ano o país deverá pagar 1,988 bilhão de dólares referentes à dívida bruta do setor público, enquanto no próximo ano a conta chega a 2,189 bilhões de dólares, segundo informação do Banco Central.

Em 2012 o pagamento de juros da dívida e amortizações chegarão a 1,698 bilhão de dólares e 1,584 bilhão em 2013.

"Aí temos um capítulo que vai nos obrigar a fazer com que rendam muito mais os recursos que temos hoje disponíveis no Estado para poder cumprir com as metas", disse Pintado.

O ministro indicado para a pasta de Economia, Fernando Lorenzo, não participou da reunião porque estava viajando, disse o futuro chanceler do país, Luis Almagro.

Durante a campanha eleitoral, alguns setores mostraram certa desconfiança e temor por um possível aumento dos gastos na gestão liderada por Mujica, ex-guerrilheiro com grande proximidade de setores sociais mais populares.

Entretanto, Mujica dissipou parte das dúvidas com a eleição de Astori como colega de chapa. Astori é um moderado que administrou a economia do país durante a maior parte do governo do socialista Tabaré Vázquez.

(Reportagem de Conrado Hornos)

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