Mugabe tentará se manter no poder disputando o 2o. turno eleitoral no Zimbábue

O presidente zimbabuano, Robert Mugabe, participará de um possível segundo turno das eleições presidenciais, anunciou nesta sexta-feira um alto funcionário do partido no poder, após reconhecer que seu líder não conseguiu superar seu rival, Morgan Tsvangirai, no primeiro turno.

AFP |

A União Nacional Africana do Zimbábue - Frente Patriótica (ZANU-PF), questionou em troca os resultados das eleições legislativas realizadas no mesmo dia, em 29 de março, e adiantou que pediria a recontagem em pelo menos 16 circunscrições.

De acordo com os resultados oficiais, o partido de Tsvangirai, Movimento para a Mudança Democrática (MCD), obteve a vitória na Câmara dos Deputados, pondo fim a 28 anos de maioria parlamentar do partido de Mugabe.

"Certamente haverá um segundo turno (das presidenciais). Estamos enfraquecidos, mas não fora do jogo", declarou após uma reunião do ZANU-PF seu secretário de governo, Digmus Mutasa, admitindo pela primeira vez que Mugabe não venceu no primeiro turno.

"O candidato será claramente Robert Gabriel Mugabe. Quais outros poderíamos escolher em seu lugar?", disse.

O vice-presidente, Joyce Mujuru, também saiu em defesa do chefe de Estado: "Não percam a esperança, vamos vencer", assegurou.

A data do segundo turno será anunciada posteriormente pela comissão eleitoral, afirmou Mutasa.

Seis dias depois das eleições, a comissão ainda não havia divulgado os resultados do primeiro turno realizado no dia 29 de março.

O MCD, que reivindica a vitória de seu líder Tsvangirai, apresentou nesta sexta-feira um recurso judicial para exigir a divulgação imediata dos resultados.

Apesar de se considerar vencedor, Tsvangirai também está disposto a disputar um segundo turno.

Um porta-voz do ZANU-PF também anunciou que sua formação não está de acordo com sua derrota nas eleições legislativas, e que uma recontagem será pedida em pelo menos 16 circunscrições.

"Haverá uma nova recontagem em um certo número de circunscrições para as legislativas", disse o secretário de administração do ZANU-PF, Didymus Mutasa.

A comunidade internacional deu sinais nesta sexta-feira de crescente impaciência.

A Presidência eslovena da União Européia (UE) pediu em um comunicado à comissão eleitoral que nã adie mais a divulgação dos resultados das eleições presidenciais.

Neste clima de tensão, dois jornalistas, um norte-americano e um britânico, foram detidos na quinta-feira pela Polícia que os acusa de terem feito a cobertura das eleições sem credenciamento. Segundo seu advogado, o promotor geral considerou, apesar disso, que não havia motivos suficientes para julgá-los e que seriam provavelmente libertados.

A detenção suscitou a preocupação de Estados Unidos e União Européia. Já o governo da África do Sul acusou a imprensa estrangeira de realizar uma "campanha orquestada" para desacreditar Harare e pediu a publicação rápida dos resultados eleitorais para "acabar com todos estes complôs".

O MCD assegurou que as forças de segurança revistaram seu centro de informações, uma operação desmentida pela Polícia, que acusou a oposição de "alimentar as tensões".

bur-fpp/dm

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