Mugabe sofre derrota histórica no Zimbábue, mas oposição fica sem maioria

O presidente zimbabuano, Robert Mugabe, sofreu uma derrota histórica na eleição presidencial de 29 de março e volta a enfrentar seu rival, Morgan Tsvangirai, no segundo turno, anunciou a Comissão Eleitoral nesta sexta-feira.

AFP |

Trata-se de um golpe sem precedentes para Mugabe, de 84 anos, que está no poder na antiga Rodésia do Sul britânica desde 1980. Seu partido perdeu a maioria parlamentar pela primeira vez em 28 anos nas eleições legislativas, que também foram realizadas em 29 de março.

Mugabe já confirmou que participará do segundo turno. "O presidente aceita os resultados anunciados e se oferece para o segundo turno das eleições presidenciais", disse o ministro da Habitação Rural, Emmerson Mnangagwa, após o anúncio da Comissão.

Mais de um mês depois da votação, o diretor da Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC), Lovemore Sekeramayi, anunciou que o líder do Movimento pela Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai, da oposição, obteve 47,9% dos votos, contra 43,2% para Mugabe.

"Já que nenhum candidato recebeu a maioria dos votos válidos (...) será necessário realizar um segundo turno em uma data que será fixada pela comissão", declarou Sekeramayi.

O ex-ministro dissidente Simba Makoni conseguiu 8,3% dos votos.

O MDC, que reivindica sua vitória há semanas, classificou os resultados oficiais de "escandalosos", enquanto repetia que Tsvangirai deveria ser declarado presidente do Zimbábue.

"Morgan Tsvangirai é o presidente da República do Zimbábue, porque ganhou com o maior número de votos", frisou o secretário-geral do MDC, Tendai Biti, em uma coletiva de imprensa na África do Sul.

O partido não se pronunciou sobre se Tsvangirai disputará o segundo turno.

Segundo a Constituição zimbabuana, se um candidato se retirar entre os dois turnos, o outro é, automaticamente, declarado vencedor.

Depois de passarem semanas cobrando os resultados definitivos, os governos ocidentais condenaram o anúncio da Comissão Eleitoral.

Os Estados Unidos advertiram que esses resultados têm "sérios problemas de credibilidade, dadas as inexplicavelmente longas demoras (em divulgá-los) e algumas das irregularidades pós-eleitorais que aconteceram", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey.

No mesmo tom, a chancelaria britânica avaliou que esse resultado "não tem credibilidade" e julgou que, em um segundo turno, deve haver mais observadores internacionais acompanhando o processo.

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