Mugabe será presidente de honra do Zimbábue e Tsvangirai premiê, diz jornal

Johanesburgo, 6 ago (EFE).- O atual chefe de Estado do Zimbábue, Robert Mugabe, ocupará a Presidência honorária do país, ao tempo que o líder opositor Morgan Tsvangirai será o primeiro-ministro que controlará o Governo, segundo uma minuta de acordo divulgada hoje pelo jornal sul-africano The Star.

EFE |

Após duas semanas de negociações, na África do Sul, para formar um Governo de unidade e pôr fim à crise do Zimbábue, a governista União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) e o opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC) já tem um princípio de acordo, segundo o periódico.

O acordo assinala que Mugabe, que governa o Zimbábue desde 1980, seria designado "presidente fundador", e se beneficiaria de uma anistia pelos supostos delitos cometidos durante seu mandato.

Por sua parte, Tsvangirai designaria dois vice-primeiros-ministros, um deles da Zanu-PF e outro do MDC, que seriam encarregados dos ministérios de Defesa e Interior.

Sobre o período de transição do Governo, após o qual serão convocadas novas eleições gerais, não há acordo sobre sua duração, pois o MDC quer que seja de dois anos e a Zanu-PF de cinco, diz o rotativo.

Nesta minuta de acordo também são contempladas as condições para a reunião programada para amanhã, em Harare, entre Mugabe e Tsvangirai, que foi promovida pelo presidente sul-africano, Thabo Mbeki, mediador das negociações, e que pode facilitar um pacto definitivo.

O acordo contempla numerosos detalhes sobre a formação de um novo Governo e das principais instituições do Estado, assim como a imediata convocação por Mugabe do Parlamento, eleito em março, e no qual a oposição tem maioria.

Durante as conversas, as partes se comprometeram a não divulgar o tratado para facilitar um diálogo que permita "criar uma genuína, viável, permanente e sustentável solução para a situação do Zimbábue", com a formação de um Governo de unidade.

Mugabe, em representação da Zanu-PF, e Tsvangirai, como líder do MDC, assim como Arthur Mutambara, líder de um grupo dissidente do movimento opositor, assinaram em 21 de julho, em Harare, um acordo para negociar a formação de um Governo de união nacional, com a mediação de Mbeki.

Mbeki, mediador designado pela Comunidade Para o Desenvolvimento da África Meridional (SADC), está sendo auxiliado em sua tarefa por delegados das Nações Unidas e da União Africana (UA).

Mugabe foi derrotado por Tsvangirai no primeiro turno das eleições presidenciais, realizado em 29 de março, mas não obteve os votos suficientes para alcançar a Chefia do Estado sem a necessidade de uma outra votação.

No segundo turno, Tsvangirai se retirou devido aos ataques contra seus seguidores por parte de milícias leais a Mugabe, que em 27 de junho obteve mais de 80% dos votos.

No entanto, a comunidade internacional não reconheceu este resultado, e a UA pressionou Mugabe para que estabelecesse conversas para formar um Governo de unidade. EFE cho/gs

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