Mugabe se recusa a adiar pleito no Zimbábue mesmo com pedidos internacionais

Harare, 26 jun (EFE).- O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, se mostrou hoje intransigente diante dos pedidos da comunidade internacional para que seja cancelado o segundo turno das eleições presidenciais de sexta-feira, que disputará sozinho já que seu adversário, Morgan Tsvangirai, abandonou o pleito.

EFE |

Tsvangirai, que venceu o primeiro turno das eleições em 29 de março, anunciou no domingo passado que não concorreria no segundo turno devido à falta de garantias e à repressão contra os seguidores de seu partido, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC).

Mugabe, que hoje disse estar "aberto a discussões" com o MDC e com Tsvangirai, insistiu que "primeiro deve se realizar o segundo turno" e rejeitou todas as chamadas internacionais para um adiamento, inclusive a da Comunidade para o Desenvolvimento de África Austral (SADC, na sigla em inglês).

O Comitê de Segurança da SADC, presidido atualmente pela Tanzânia, também titular provisória da União Africana (UA), pediu que a votação fosse adiada já que a reeleição de Mugabe, no cargo desde a independência do Zimbábue em 1980, não terá legitimidade devido à violência que impera no país.

"Alguns de nossos irmãos africanos nos pedem que cancelemos a votação, mas isso seria violar nossas leis e nos negamos a isso", disse Mugabe durante uma manifestação pública da governamental União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) em uma zona rural ao sul de Harare.

Mugabe advertiu que não aceitará imposições vindas do exterior e que responderá a qualquer desafio que receba na Cúpula da UA.

A reunião da União Africana será realizada a partir da próxima segunda-feira em Sharm el-Sheikh (Egito) e deve ter como principal assunto a crise política no Zimbábue.

"Este é um país africano com líderes responsáveis, mas sabemos que há alguns que nos atacarão durante a cúpula. Quero ver quem é que nos acusará na UA que não tivemos eleições livres", disse Mugabe.

O líder zimbabuano acrescentou que será "magnânimo na vitória" e que se sentará à mesa de negociações com o MDC.

"Assim será, o MDC pode aceitá-lo ou deixá-lo, mas nós continuaremos governando este país como achamos que deve ser governado", enfatizou Mugabe, que na semana passada chegou a afirmar que "só Deus" poderia tirá-lo do cargo e "não o MDC ou o Reino Unido".

Já Tsvangirai, que admitiu na quarta-feira que a melhor maneira de tirar o Zimbábue da crise é chegar a um acordo negociado com o Governo, advertiu hoje que "não haverá negociações se o presidente Mugabe se declarar vencedor" nas eleições de amanhã.

Em declarações por telefone ao jornal "The Times" na embaixada da Holanda, onde está refugiado devido às ameaças de morte que recebeu, Tsvangirai se perguntou como esperar que a oposição negocie se Mugabe disser que ganhou "e se considerar (novamente) presidente".

Tsvangirai acrescentou que "estava disposto a negociar antes das eleições, mas não depois". Segundo ele, "não se trata de eleições, mas de transição".

O líder da oposição pôs também como condição para conversar com Mugabe a libertação de cerca de dois mil presos políticos que o regime de Harare mantém na prisão.

Pelo menos um desses prisioneiros, o secretário-geral do MDC, Tendai Biti, foi posto hoje em liberdade, através do pagamento de fiança efetiva de um trilhão de dólares zimbabuanos (US$ 100).

Biti foi detido e acusado pelas autoridades zimbabuanas de fraude eleitoral, subversão, injúrias ao Presidente Mugabe e traição. Se fosse considerado culpado, ele poderia ser condenado à pena de morte.

As acusações contra Biti foram feitas depois que os resultados do primeiro turno das eleições foram divulgados, em 29 de março passado, quando disse em entrevista coletiva que o MDC tinha sido o vencedor.

Segundo a legislação do Zimbábue, a Comissão Eleitoral do país é o único órgão que pode anunciar os resultados do pleito.

Biti também criticou abertamente Mugabe em diversas ocasiões, acusando o presidente do Zimbábue de querer permanecer no poder de todos os meios. EFE sk/rb/rr

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