Mugabe se prepara para assumir novo mandato

Robert Mugabe deve assumir mais um mandato como presidente do Zimbábue neste domingo, após sua vitória no segundo turno das eleições presidenciais, boicotado pelo candidato da oposição. Fontes do governo disseram que Mugabe venceu com uma grande vantagem o pleito realizado nesta sexta-feira, que foi amplamente criticado pela oposição e pela comunidade internacional.

BBC Brasil |

Morgan Tsvangirai se retirou da disputa por causa da violência e da intimidação sofridas por seus partidários.

A contagem dos votos ainda está sendo realizada, mas um repórter no país diz que em algumas áreas a quantidade de votos invalidados é maior do que os para Mugabe.

O jornalista Brian Hungwe diz que em alguns casos os eleitores expressaram sua raiva contra a violência chamando Mugabe de assassino nas cédulas eleitorais.

Ele acrescenta que no reduto da opoisção Matabeleland, houve mais votos invalidados do que votos para Mugabe.

Críticas internacionais
Na sexta-feira, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) disse lamentar profundamente a decisão do governo do Zimbábue de seguir em frente com a eleição presidencial.

O embaixador americano na ONU, Zalmay Khalilzad, leu uma declaração do CS que dizia que todos os integrantes "concordaram que não existiam condições para eleições livres e justas e que lamentavam que o pleito seguiu em frente nestas circunstâncias".

Por outro lado, o documento, que foi assinado por todos os 15 integrantes do conselho, incluindo África do Sul, China e Rússia, não delcarou a votação ilegítima por oposição da África do Sul.

Khalilzad acrescentou que o conselho vai voltar a discutir o assunto nos próximos dias.

"Nós já começamos as discussões com alguns colegas sobre uma resolução que imporia sanções apropriadas ao regime, considerando que as condições continuem iguais às registradas atualmente."
Diálogo x sanções
Porém, o ministro do Exterior do Quênia, Moses Watangula, disse que possíveis sanções contra o Zimbábue não devem funcionar.

Watangula disse que em vez da aplicação de sanções, Mugabe e a oposição deveriam ser incentivados a conversar.

"A história nos mostrou que elas (as sanções) não funcionam porque a liderança só cava e cava e se sente perseguida", afirmou o ministro queniano, cujo próprio país viveu um período de violência política recentemente, antes de um acordo político ter sido firmado.

"Acho que precisamos incentivar o Zimbábue. O caminho das sanções pode não ser o mais útil. A primeira e mais importante coisa é que o povo do Zimbábue e seus líderes sentem e conversem uns com os outros, em vez de falar uns aos outros."
"Ouvi declarações dos dois lados que eles estão dispostos a conversar. Acho que o importante é em que nível começamos a conversar, com quem e sobre o que", afirmou Watangula.

O ministro queniano fez as declarações durante uma conferência da União Africana no balneário de Sharm el-Sheikh, no Egito.

Mugabe deve participar da reunião e, de acordo com o correspondente da BBC em Johannesburgo, o presidente pretende declarar sua vitória antes de deixar o país para o Egito.

O Conselho de Segurança da ONU deve voltar a discutir a situação no Zimbábue nos próximos dias. Porém, diplomatas acreditam que a resistência de África do Sul, China e Rússia torne difícil a adoção de sanções.

Coerção
Um grupo de monitoramento eleitoral, o Zimbabwe Election Support Network, afirmou que na maioria das áreas rurais, os eleitores foram obrigados a votar na eleição desta sexta-feira.

Um jornalista do país disse que milícias leais a Mugabe foram de porta em porta em algumas cidades para coagir as pessoas.

Mugabe ficou em segundo lugar no primeiro turno da eleição presidencial em março, perdendo para Tsvangirai.

De lá para cá, o partido do líder da oposição, MDC, disse que 86 de seus partidários foram assassinados e 200 mil foram obrigados a deixar suas casas pelas milícias leais ao partido governista Zanu-PF.

O governo culpa o MDC pela violência, mas Mugabe sugeriu que negociações com a oposição são possíveis - "se formos vitoriosos, o que acho que seremos".

Tsvangirai disse que não haveria possibilidade de haver negociações se Mugabe seguisse adiante com o segundo turno.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG