Mugabe se apresentará em eventual segundo turno de eleições no Zimbábue

Stanley Karombo Harare, 4 abr (EFE).- A governante União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) decidiu nesta sexta-feira que o presidente Robert Mugabe se apresentará em um eventual segundo turno das eleições presidenciais contra o líder opositor Morgan Tsvangirai.

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Tsvangirai afirma ter vencido o pleito presidencial com 50,3% dos votos - enquanto a Zanu-PF, embora reconheça a vantagem do líder opositor sobre Mugabe, sustenta que não obteve 50% dos votos mais um, quantia necessária para evitar um segundo turno.

Seis dias após a realização das eleições, a Comissão Eleitoral do Zimbábue ainda não ofereceu nenhum resultado parcial das mesmas, e a Zanu-PF faz seus cálculos com base em projeções de analistas independentes.

Já Tsvangirai utiliza os resultados publicados em cada colégio eleitoral após a apuração inicial.

Zimbábue é governado desde sua independência, em 1980, por Mugabe, de 84 anos, e as últimas eleições que aconteceram no país foram marcadas por denúncias de fraude por parte da oposição.

Caso seja confirmado o segundo turno, será o primeiro na história do Zimbábue.

O comitê central da Zanu-PF tomou sua decisão após uma reunião de quase seis horas nesta capital para analisar a crise no partido após sua derrota nas parlamentares, realizadas junto com as presidenciais, no sábado passado.

Os resultados finais das eleições parlamentares anunciados nesta quinta-feira pela Comissão Eleitoral concederam 97 cadeiras da Assembléia à Zanu-PF, 109 ao opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC) de Tsvangirai, e confirmou a reeleição de um legislador independente.

A Assembléia é integrada por 210 deputados, mas, em três circunscrições, as eleições foram adiadas devido à morte de alguns candidatos.

O secretário administrativo do partido governamental, Didymus Mutasa, especificou hoje que será feita uma apuração dos votos nas áreas em que surgiram disputas após a contagem inicial.

A Zanu-PF disputa resultados em 16 circunscrições nas quais o MDC venceu, e afirma que o grupo opositor subornou as autoridades das mesas eleitorais.

Segundo Mutasa, as 16 cadeiras pleiteadas seriam suficientes para que a Zanu-PF recuperasse a maioria na Câmara.

O MDC apresentou hoje um pedido judicial para forçar a Comissão Eleitoral a divulgar rapidamente os resultados das eleições presidenciais.

O recurso foi apresentado ao Tribunal Superior de Harare, segundo o porta-voz do grupo político, Nelson Chamisa, que afirmou que a Comissão Eleitoral tem um prazo até a meia-noite de hoje para dizer quem foi o vencedor.

Enquanto a oposição procura forçar o anúncio dos resultados das eleições presidenciais, o partido governamental foi às ruas com os veteranos da independência. Apesar de ter transcorrido pacificamente, o ato foi interpretado por muitos como uma tática para intimidar a oposição.

A afirmação de Tsvangirai de que já ganhou as eleições presidenciais foi denunciada como uma "provocação" pela Associação de Veteranos da Guerra de Independência do Zimbábue.

"Estas são provocações contra nossos combatentes pela liberdade", disse o líder da Associação, Jabulani Sibanda, em entrevista coletiva após a manifestação dos veteranos.

Sibanda advertiu que seu grupo usara a força contra qualquer tentativa da oposição de reverter a reforma agrária iniciada por Mugabe em 2000, mediante a qual o Governo expropriou as fazendas de mais de quatro mil proprietários brancos para distribuí-las entre os zimbabuanos negros.

"Temos a impressão de que estas eleições foram a maneira encontrada para que nosso país seja invadido novamente", ressaltou Sibanda.

O Zimbábue está imerso em uma profunda crise econômica - com uma inflação anual que supera os 100 mil por cento - que a oposição e o Ocidente atribuem às políticas do Governo de Mugabe.

O presidente do Zimbábue afirma, no entanto, que a desapropriação das terras dos brancos - muitas das quais ficaram nas mãos de membros do Gabinete, parentes e amigos -, e seus planos de transferir o controle das empresas de capitais estrangeiros a interesses locais, têm por objetivo corrigir as injustiças criadas pelo colonialismo. EFE sk/mac/fb

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