Mugabe rejeita crescentes críticas do Ocidente a regime zimbabuano

Harare 23 dez (EFE).- O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, rejeitou hoje novamente as críticas dos Estados Unidos e Reino Unido a seu Governo e liderança, e especificou que não prestará atenção aos comentários estúpidos do presidente americano, George W.

EFE |

Bush.

Mugabe acusou também os EUA e o Reino Unido de "comportamento ilegal", depois que funcionários dos dois países fizeram chamadas para que o governante zimbabuano, de 84 anos, renuncie a seu cargo.

Washington e Londres disseram esta semana que o acordo assinado em setembro passado entre a governamental União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) e o opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC) para formar um Governo de unidade não funcionará enquanto Mugabe estiver à frente do Executivo.

A subsecretária de Estado americano para Assuntos Africanos, Jendayi Frazer, disse no domingo passado que os EUA não têm mais confiança no pacto e que Washington não o apoiará enquanto Mugabe continuar ocupando o poder.

O ministro para Assuntos Africanos britânico, Mark Malloch Brown, repetiu na segunda-feira os conceitos de Frazer e acrescentou que Mugabe é "um obstáculo impossível" de resolver para conseguir o progresso no Zimbábue.

No entanto, Mugabe rejeitou hoje o anúncio dos Estados Unidos de que não apóiam mais o acordo de unidade no Zimbábue, e qualificou os comentários de Bush e de seus funcionários de "desmerecidos e muito estúpidos" "Percebemos que (os comentários do Governo americano) são as últimas patadas de um cavalo agonizante. Não vamos prestar atenção em uma Administração que está em seu anoitecer", disse Mugabe, em discurso transmitido pela rede nacional de difusão a partir do funeral de um alto cargo do Exército.

As esperanças de colocar fim à crise política, econômica e social do Zimbábue, agravada atualmente por uma epidemia de cólera que já causou a morte de quase 1,2 mil pessoas, eram altas quando, em 15 de setembro, a Zanu-PF e o MDC assinaram um acordo para governar conjuntamente o Zimbábue.

No entanto, o pacto está a ponto de colapsar porque Mugabe pretende monopolizar para a Zanu-PF todos os ministérios principais e relegar ao MDC um papel de parceiro menor no Governo de unidade.

O líder do MDC, Morgan Tsvangirai, advertiu que se retirará das negociações com a Zanu-PF se o Governo não libertar 42 membros da oposição e vários ativistas dos direitos humanos, seqüestrados em semanas recentes por grupos desconhecidos que, supostamente, obedecem a Mugabe.

Enquanto isso, a televisão zimbabuana informou que a Polícia deteve ontem quatro britânicos e um americano, após acusá-los de espionagem.

Segundo o canal estatal, os cinco detidos chegaram há um mês ao Zimbábue, fazendo-se passar por médicos em uma missão humanitária, a convite da Associação Zimbabuana de Médicos pelos Direitos Humanos (ZADHR, em inglês).

Uma porta-voz da ZADHR negou que os cinco médicos se encontrem detidos. EFE rt/an

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