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Mugabe, presidente do Zimbábue, diz que só Deus poderá tirá-lo do poder

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, afirmou hoje que só Deus poderá tirá-lo do poder, durante discurso para empresários feito em Bulawayo, segunda cidade do país, a uma semana do segundo turno das eleições presidenciais.

AFP |

"Nunca permitirei ao MDC (Movimento pela Mudança Democrática, principal opositor) governar este país, nunca jamais", disse.

"Somente Deus, que me elegeu, pode me tirar. Nem o MDC nem os britânicos podem fazê-lo", assegurou o presidente Mugabe, de 84 anos de idade, dos quais os últimos 28 no poder.

O procurador-geral do país havia negado, antes, a liberdade sob fiança para o número dois da oposição, Tendai Biti, indiciado na véspera por subversão, uma acusação pela qual pode ser condenado à morte, anunciou seu advogado, Lewis Uriri.

Mugabe também havia afirmado hoje que pretende permanecer no poder até que todas as terras sejam restituídas à maioria negra do país, num momento em que a União Européia acentuou a pressão para que a repressão política chegue ao fim, a uma semana da eleição presidencial.

"Quando estiver seguro de que este legado (as terras) estará realmente em suas mãos (...), então poderei dizer: bem, o trabalho está feito", disse Mugabe, citado pelo jornal The Herald, a voz do regime.

O presidente, de 84 anos, no poder desde a independência do Zimbábue, em 1980, iniciou há uma década uma caótica reforma agrária que até agora causou a expropriação de 4.000 fazendeiros brancos pelo Estado zimbabuano.

A oposição denuncia uma campanha de violência iniciada pelo governo de Mugabe antes da eleição de 27 de junho na qual 70 opositores teriam morrido.

Intervenção européia

Devido a esse contexto, a União Européia (UE) advertiu na sexta-feira que está preparada para adotar novas sanções contra os responsáveis pela violência política no Zimbábue, em alusão ao governo de Mugabe.

A Comissão Européia é o principal doador do país africano, para o qual enviou no ano passado 90,7 milhões de euros em assistência humanitária e outras ajudas para a população.

"A violência praticada até agora, a intimidação e as medidas tomadas contra as ONGs para suspender a ajuda e o acesso internacional às zonas rurais avivam os temores do povo zimbabuano e da comunidade internacional sobre as condições nas quais será realizada a eleição, essencial para o futuro do Zimbábue", ressalta o texto, que será submetido à aprovação dos dirigentes europeus reunidos na reunião de cúpula de Bruxelas.

"O Conselho Europeu reitera que está preparado para adotar medidas adicionais contra os responsáveis pela violência", aponta o documento.

A Grã-Bretanha, ex-potência colonial do Zimbábue, defenderá o endurecimento da posição da UE em relação a Mugabe antes do segundo turno das eleições presidenciais de 27 de junho.

A UE já reforçou em junho de 2007 suas sanções impostas em 2002 ao regime zimbabuano devido à repressão contra a oposição e à violação dos direitos humanos.

Segundo turno

Já o principal partido opositor do Zimbábue, o Movimento por uma Mudança Democrática (MDC), decidirá domingo se participará ou não no segundo turno das eleições presidenciais de 27 de junho, afirmou nesta sexta-feira o porta-voz do MDC, Nelson Chamisa.

"Diante de atos de violência e intimidação, decidiremos se ainda acreditamos que a vontade do povo será respeitada e, em conseqüência, se ainda é pertinente participar na eleição", afirmou Chamisa.

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