Mugabe pode disputar segundo turno no Zimbábue

A mídia estatal do Zimbábue deu indicações sobre como o partido do presidente Robert Mugabe deve conduzir sua campanha por um segundo turno. Hoje, os meios oficiais traziam notícias retratando a oposição como dividida, controlada por um ex-senhor colonial britânico e ameaçando uma reforma agrária.

Agência Estado |

O vice-ministro da Informação do governo Mugabe, Bright Matonga, disse que o atual presidente está pronto para um segundo turno. A oposição alega ter ganhado a disputa na primeira votação e resultados oficiais mostram que ela levou a maioria das cadeiras no Parlamento.

Mugabe estaria agora ponderando sobre conselhos conflitantes, como ceder poder ou partir para um segundo turno. Um dilema humilhante para o homem que governa o país há 28 anos. Hoje, Mugabe fez sua primeira aparição desde as eleições de sábado. Ele foi mostrado pela televisão estatal durante um encontro com observadores eleitorais da União Africana (UA). "O presidente Mugabe lutará. Ele não vai a lugar nenhum. Ele não perdeu", disse Matonga à BBC. "Nós daremos duro, lutaremos e vamos conseguir a maioria necessária" para vencer as eleições.

Até agora, a comissão eleitoral divulgou apenas resultados das votações parlamentares. Observadores independentes, com base em uma amostra dos resultados, apontam para a vitória do líder oposicionista Morgan Tsvangirai. Porém este não teria conseguido votos suficientes para evitar um segundo turno. A segunda votação, se necessária, está prevista para 21 dias depois do primeiro turno.

Um membro da comissão eleitoral indicou que os resultados das eleições presidenciais seriam divulgados amanhã. Ele falou sob condição de anonimato. A comissão afirma ainda estar recebendo urnas das províncias. Isso gera dúvidas sobre onde estavam esses votos desde as eleições de sábado, em meio a denúncias de supostas fraudes. Observadores eleitorais ocidentais já acusaram Mugabe de fraudar eleições anteriores.

Na quarta-feira, resultados oficiais mostraram que o partido ZANU-PF, de Mugabe, perdeu a maioria parlamentar. O ZANU-PF estava com 1,1 milhão de votos. O partido de Tsvangirai tinha pouco mais de 1 milhão. Uma facção do partido oposicionista, liderada por Arthur Mutambara, tinha pouco mais de 200 mil votos. Um independente conseguiu 54 mil votos.

O atual líder culpa a ex-metrópole Grã-Bretanha e outras nações ocidentais pelo colapso da economia do Zimbábue. O país sofre sanções do Ocidente, mas elas envolvem apenas a proibição de vistos e o congelamento de contas bancárias de Mugabe e de cerca de cem de seus aliados.

Líderes religiosos e diplomatas se mobilizavam hoje para convencer Mugabe a renunciar. O atual presidente está no poder desde que o movimento de guerrilha liderado por ele ajudou a encerrar o domínio da minoria branca na Rodésia. Na ocasião foi formado o Zimbábue independente, em 1980. O outrora herói da libertação tornou-se progressivamente um déspota. Mugabe é responsabilizado pela destruição da economia do país, antes em uma rota de desenvolvimento.

O principal motivo apontado para isso foi o período de oito anos em que ele ordenou tomadas, muitas vezes violentas, de vastas áreas produtivas de fazendas, propriedades de poucos milhares de brancos. Há problemas crônicos com a falta de praticamente tudo no país - comida, remédios, água, eletricidade, combustível. Além disso, 80% da população zimbabuana está desempregada.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG