Mugabe exige que oposição deixe de reivindicar poder no Zimbábue

Por MacDonald Dzirutwe HARARE (Reuters) - O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, que se mantém firme no cargo apesar da forte condenação internacional à sua reeleição, disse nesta sexta-feira que a oposição tem que abandonar sua reivindicação de poder e aceitar que ele é legalmente o chefe de Estado.

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Mugabe assumiu uma posição intransigente depois de voltar ao país após uma cúpula da União Africana esta semana, que lhe demonstrou uma repulsa sem precedentes e lhe pediu que negocie a formação de um governo de unidade nacional com o oposicionista partido Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), de Morgan Tsvangirai.

Mugabe disse a dezenas de partidários que o saudavam no aeroporto: 'Tsvangirai e seu grupo têm de abandonar sua reivindicação (de poder)'.

Ele acrescentou: 'Estamos abertos ao diálogo, mas realidade é realidade e tem de ser aceita... Eu sou o presidente da República do Zimbábue.'

Mugabe estendeu seus 28 anos de poder na eleição do dia 28 de junho, boicotada por Tsvangirai sob a alegação de que uma campanha violenta, apoiada pelo governo, tornou impossível uma votação justa.

O MDC, de Tsvangirai, afirmou nesta sexta-feira que a violenta repressão desencadeada pelas forças de segurança e por milícias pró-Mugabe matou 103 de seus partidários e outros 1.500 foram presos.

Cerca de 5.000 partidários, incluindo pessoas que trabalhavam na eleição, desapareceram depois de terem sido sequestrados pela milícia do partido governista ZANU-PF ou por agentes de segurança, disse Tsvangirai, que foi derrotado por Mugabe no primeiro turno da eleição, em março.

Enquanto o presidente voltava ao Zimbábue, o vizinho Botsuana pedia à Comunidade de Desenvolvimento do Sul Africano -- órgão regional que atuou como mediador na crise -- que não reconheça a reeleição de Mugabe.

Mas Mugabe manteve sua posição, apesar das críticas sem precedentes, e, em declarações aparentemente direcionadas a Botsuana e Zâmbia, fez uma advertência aos países vizinhos para que não procurem briga.

'Se há alguns que queiram lutar contra nós, deveriam pensar duas vezes. Não pretendemos lutar contra nenhum vizinho. Somos um país pacífico, mas existe um país vizinho que está ansioso por briga, ah, deixem eles tentarem.'

No poder desde 1980, Mugabe insistiu que a crise no Zimbábue, que arruinou a economia e provocou a saída de milhões de refugiados para países vizinhos, tem de ser resolvida internamente.'

(Reportagem adicional de Nelson Banya e Cris Chinaka em Harare, Paul Simao, Gordon Bell e Marius Bosch em Johannesburgo)

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