Mugabe está disposto a formar Governo sem atender exigências da oposição

Harare, 27 ago (EFE).- O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, está disposto a formar um Governo no país sem atender a exigência da oposição para que se forme um gabinete de união nacional entre todos os partidos representativos do país, como tinham pactuado.

EFE |

Em declarações publicadas hoje pelo diário governista "The Herald", Mugabe, que governou o Zimbábue desde sua independência do Reino Unido, em 1980, assinala que "em breve um novo Governo será designado," e acrescenta que o opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC) "parece não querer fazer a parte dele".

Segundo Mugabe, seu próximo Governo será de "administradores", pois considera que seu atual gabinete foi "o pior da história do país".

Por sua parte, o MDC, liderado pelo opositor Morgan Tsvangirai, exige que prossigam as negociações para formar um Governo de união nacional, como acertado em 21 de julho em Harare com o partido de Mugabe, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF).

A Zanu-PF tem maioria absoluta no Senado, que pode vetar as medidas aprovadas pela Câmara Baixa do Parlamento zimbabuano, onde fica em minoria, com apenas 99 das 210 cadeiras.

O MDC, que preside a Câmara Baixa, onde tem 100 cadeiras, considera que a convocação do Legislativo por parte de Mugabe representa uma violação do acordo de entendimento assinado no mês passado para negociar um Governo de união.

Além disso, o partido se opõe firmemente à formação de um novo gabinete sem ter concluído a negociação, ao tempo que não reconhece a legitimidade democrática de Mugabe para ocupar a Presidência do país.

As conversas para formar um Governo de união, das quais também participa a facção minoritária do MDC, liderada por Arthur Mutambara e que conta com 10 cadeiras na Câmara Baixa, estão paralisadas há 10 dias.

Tsvangirai quer ser primeiro-ministro com poder executivo e deixar a chefia do Estado e as Forças Armadas ao presidente Mugabe, mas este resiste, e quer compartilhar também o poder Executivo.EFE jo/gs

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