Mugabe é eleito presidente do Zimbábue com mais de 80% dos votos

Harare, 29 jun (EFE) - Robert Mugabe, candidato único do segundo turno de eleições presidenciais zimbabuanas, foi empossado hoje presidente depois que a Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC, em inglês) anunciou sua vitória com mais de 80% dos votos. Mugabe obteve dois milhões de votos, e o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, recebeu o apoio de 230 mil pessoas, apesar de ter se retirado oficialmente das eleições. Cerca de 42,37% dos eleitores participaram, segundo a ZEC, quase o mesmo número do primeiro turno, realizado em 29 de março, embora várias fontes tenham denunciado que a Polícia e partidários de Mugabe obrigaram as pessoas a votar. Os resultados foram divulgados hoje, apesar das declarações de Utoile Silaigwana, o chefe da ZEC, que afirmou que o anúncio final só seria feito nesta segunda-feira. Tsvangirai conquistou o poder no Parlamento na primeira rodada do pleito. A oposição venceu também nas eleições presidenciais, mas não obteve a maioria absoluta necessária no Zimbábue para se proclamar presidente.

EFE |

O líder opositor alegava que a intensa campanha de violência e intimidação que o Governo de Mugabe, apoiado pela Polícia e pelo Exército, fazia contra seus partidários impedia que continuasse concorrendo ao cargo, pelo que optou por se retirar.

Fontes oficiais confirmaram à Agência Efe que o líder da oposição rejeitou hoje o convite de Mugabe para que compareça à sua cerimônia de posse. Segundo o vice-ministro de Informação, Bright Matonga, o presidente zimbabuano agiu "de boa fé".

Tsvangirai afirmou que não compareceria à nomeação porque não fazia sentido, já que o processo eleitoral tinha sido uma farsa.

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) publicou hoje um relatório no qual destacava a situação de tensão vivida no sábado pelas pessoas que não iam votar.

Segundo o documento, "várias pessoas disseram à HRW que, nas primeiras horas do dia 28, partidários da Zanu-PF (União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica) iam de porta em porta, forçando o povo a mostrar a tinta de suas mãos como sinal de que tinham votado".

"Quem não tinha tinta nos dedos era levado às sedes da Zanu-PF e eram espancados com bastões e com paus", acrescenta o relatório.

As eleições foram realizadas no Zimbábue sob uma forte pressão internacional. Os países integrantes do G8 (sete nações mais ricas e a Rússia) condenaram a forma como o pleito estava sendo realizado, e declararam que não aceitariam os resultados.

As nações disseram também que a única coisa que deveria ser feita é respeitar a vontade do povo zimbabuano expressada no primeiro turno das eleições.

O primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, pediu que fossem enviadas tropas da União Africana (AU) para tentar resolver a crise do Zimbábue, que, segundo o próprio líder, se transformou na "vergonha da África".

O Zimbábue, que já foi considerado um dos países do continente africano com mais recursos e maior potencial, tem agora a maior taxa de inflação do mundo, sofre de uma grave crise agrícola e mais de 80% de sua população está desempregada.

A instauração de um imposto sobre as publicações estrangeiras e a proibição a algumas ONG de atuarem no país são algumas das últimas medidas adotadas pelo Governo antes das eleições.

Mugabe, de 84 anos, foi considerado um dos heróis da Guerra da Independência do Zimbábue, que conquistou a soberania em relação ao Reino Unido em 1980. Agora, o presidente está a ponto de começar seu sexto mandato consecutivo, sendo considerado um ditador pela maioria das nações e organismos do mundo. EFE Robert Mugabe assistirá amanhã à cúpula da União Africana (UA), que acontecerá em Sharm el-Sheikh, no Egito, e onde espera-se que a crise política do Zimbábue e os apelos internacionais para intervir centrem os trabalhos dos chefes de Estado africanos. EFE sk/db

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