à guerra para evitar Governo da oposição - Mundo - iG" /

Mugabe diz que irá à guerra para evitar Governo da oposição

Harare, 14 jun (EFE) - O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, disse hoje que a oposição nunca governará enquanto ele viver e que está preparado para pegar em armas e ir à guerra para defender seu país. Mugabe qualificou de marionete do Reino Unido, a antiga metrópole do Zimbábue, o partido de oposição Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês) e seu líder, Morgan Tsvangirai, seu adversário nas urnas no segundo turno das eleições presidenciais, que será realizado no dia 27. Devemos deixar que este país seja tomado pelos traidores do MDC? Nunca enquanto eu e aqueles que lutaram por (a independência de) o país estiverem vivos. Estamos preparados a ir à guerra por ele, disse Mugabe em discurso de campanha pronunciado durante o funeral de um ex-combatente da independência zimbabuano.

EFE |

Esta foi a segunda advertência de Mugabe de que o Zimbábue poderá ser palco de um conflito armado caso Tsvangirai o derrote nas eleições.

Durante uma manifestação da governamental União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) na quinta-feira passada, o presidente zimbabuano disse que os veteranos de guerra perguntaram se devem "se preparar para lutar novamente".

Mugabe respondeu aos antigos combatentes que ele não quer que o Zimbábue volte a um estado de guerra, mas ressaltou que "o país nunca será governado pelo opositor MDC".

"Esta terra, pela qual lutamos, nunca será tomada pelo MDC e entregue a nossos antigos opressores, os brancos", disse Mugabe.

O MDC qualifica de "ridículas e sem fundamento" as afirmações de Mugabe de que o partido opositor, que obteve a maioria parlamentar nas eleições legislativas realizadas em 29 de março, no mesmo dia do primeiro turno das eleições presidenciais, tem intenções de reverter a reforma agrária no país.

A oposição responsabiliza Mugabe pelos violentos ataques e atos de intimidação registrados diariamente contra os seguidores do MDC, que afirma que 66 de seus simpatizantes foram assassinados por grupos de choque dirigidos por veteranos da guerra da independência com a conivência da Polícia e do Exército.

Tsvangirai e 11 funcionários do MDC foram detidos hoje em um posto policial nos arredores de Shurungwi, 160 quilômetros ao nordeste de Bulawayo, a capital da província de Matabeleland Sul.

Após ficarem retidos três horas na delegacia local, os políticos foram colocados em liberdade.

As forças de segurança detiveram sistematicamente Tsvangirai cada vez que este tentou fazer campanha nas áreas rurais do Zimbábue, consideradas pela Zanu-PF como seu feudo particular e através das quais o partido governamental obtém seu maior apoio nas eleições.

Esta foi a nona detenção e libertação sem que fossem formuladas acusações que Tsvangirai e seus colegas sofreram nos últimos oito dias.

Enquanto isso, o secretário-geral do MDC, Tendai Biti, que foi detido na quinta-feira no aeroporto de Harare após desembarcar do avião que o trazia de Johanesburgo, foi apresentado hoje perante um tribunal.

A medida foi ordenada na sexta-feira por um juiz da Alta Corte de Justiça em resposta a um recurso de "habeas corpus" impetrado pelos advogados do partido.

Após seu comparecimento, Biti permaneceu detido e será levado novamente perante o tribunal na próxima segunda-feira, quando, segundo antecipou a Polícia, será processado por traição, acusação pelo qual, de for considerado culpado, pode ser condenado à morte.

Biti foi detido ao chegar ao Zimbábue por violar as leis eleitorais do país, ao proclamar a vitória do MDC nas eleições gerais de 29 de março antes do anúncio oficial dos resultados.

A legislação que regula o pleito no Zimbábue estipula que a Comissão Eleitoral do país (ZEC) tem o mandato exclusivo para anunciar os resultados dos mesmos. EFE jm/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG