A menos de uma semana da realização do segundo turno das eleições presidenciais no Zimbábue, o presidente Robert Mugabe afirmou, em um comício na sexta-feira, que a oposição mente sobre a suposta violência durante a campanha e disse que somente Deus poderá tirá-lo do cargo. O partido opositor MDC (Movimento para a Mudança Democrática) afirma que ao menos 70 de seus simpatizantes foram mortos e centenas foram agredidos durante a campanha para o segundo turno, programado para a próxima sexta-feira.

O candidato do MDC, Morgan Tsvangirai, foi o mais votado no primeiro turno das eleições, com cerca de 48% dos votos, enquanto Mugabe obteve cerca de 43%.

Apesar de ter inicialmente denunciado fraude na primeira votação, o MDC acabou aceitando participar de um segundo turno, mas diante do que considerou uma campanha de intimidação por parte do governo, o partido ameaçou na sexta-feira se retirar do processo eleitoral. Uma decisão deve ser anunciada na segunda-feira.

"Independência"
Durante o comício da sexta-feira, na cidade de Bulawayo, Mugabe, que governa o país desde 1980, disse ainda que o MDC nunca poderá governar o país.

"Nós nunca permitiremos um evento como uma eleição para reverter nossa independência, nossa soberania", disse Mugabe aos seus simpatizantes.

"Somente Deus, que me elegeu, pode me remover - não o MDC, nem os britânicos", afirmou.

Mugabe repetiu sua acusação de que o MDC promove no país os interesses da Grã-Bretanha, antigo poder colonial, e de outros países ocidentais.

Campanha
O embaixador do Zimbábue na ONU, Boniface Chidyausiku, negou que estivesse ocorrendo intimidações contra eleitores para favorecer o partido de Mugabe, Zanu-PF.

"Estamos fazendo campanha. Tem havido violência no Zimbábue promovida pelo MDC, e as estatísticas que eu tenho mostram que o MDC está promovendo atos de intimidação e violência. Tem havido alguns incidentes nos quais o Zanu-PF foi o responsável, mas em geral há mais acusações contra o MDC do que contra o Zanu-PF", disse.

Mas os líderes do MDC, assim como funcionários de agências humanitárias e muitos civis envolvidos nos episódios de violência acusam os simpatizantes do governo.

"Eles nos ameaçam de morte, ameaçam nossas famílias. Dizem: 'Se vocês ousarem votar pelo MDC, suas mulheres, seus maridos vão ser expulsos da força policial e vocês serão expulsos de suas casas", disse um ex-policial.

Imagens
Na sexta-feira foram divulgadas imagens gravadas pelos funcionários da embaixada americana mostrando milicianos armados com bastões aparentemente ameaçando simpatizantes do MDC em uma favela da capital, Harare.

Os países vizinhos ao Zimbábue também manifestaram preocupações sobre a violência durante a campanha eleitoral.

O presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, um dos mais próximos aliados de Mugabe, pediu a ele que interrompa a onda de violência.

O ministro das Relações Exteriores da Tanzânia, Bernard Membe, que chefia uma equipe internacional de observadores das eleições, disse à BBC durante a semana que a violência parecia estar aumentando em todo o país.

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