humilhação - Mundo - iG" /

Mugabe diz que acordo com oposição foi humilhação

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, disse aos líderes de seu partido, Zanu-PF, que o acordo em que ele compartilha o poder com o líder oposicionista Morgan Tsvangirai é uma humilhação. Mugabe afirmou, contudo, que o Zanu-PF não tinha alternativa depois da derrota nas eleições parlamentares de março.

BBC Brasil |

O presidente zimbabuano deve se reunir nesta quinta-feira com Tsvangirai, líder do Movimento para a Mudança Democrática (MDC) que deverá ser primeiro-ministro no novo governo, e o líder da facção dissidente do MDC, Arthur Mutumbara, para discutir os cargos ministeriais previstos no acordo, oficializado na segunda-feira.

Segundo correspondentes, há um grande lobby por cargos entre os partidos envolvidos no acordo.

O entendimento prevê que o Zanu-PF fique com 15 pastas ministeriais, o MDC com 13 e uma facção dissidente do MDC com três. Mas as pastas e os seus titulares ainda têm que ser decididos.

Quem manda?

A reunião entre Mugabe, Tsvangirai e Mutumbara vem sendo adiada desde terça-feira, mas o ex-ministro da Justiça, Patrick Chinamasa, disse à TV estatal do Zimbábue que ela deve ocorrer nesta quinta-feira, com decisões anunciadas até o final do dia.

De acordo com o jornal estatal Herald, Mugabe disse ao Zanu-PF: "Nós ainda estamos em uma posição dominante que vai nos permitir um fortalecimento no futuro."

A previsão é que Mugabe presida o gabinete, definindo políticas, e Tsvangirai, o "conselho de ministros", que terá a tarefa de implementar essas políticas.

Chinamasa disse que o gabinete vai se reunir uma vez por semana e o conselho, a cada 15 dias.

Analistas receiam que essa estruturação possa criar centros de poder rivais. Tsvangirai, contudo, disse à BBC que vai "garantir que isso não ocorra".

A primeira prioridade do novo governo é tentar reavivar a economia, que está arruinada.

A inflação anual oficial é de 11.000.000% e só um adulto em cada cinco tem um emprego regular. Cerca da metade da população vai precisar de ajuda humanitária para se alimentar até o final do ano, segundo doadores internacionais.

Alimentos

A Cruz Vermelha Internacional começa a distribuir alimentos nesta quinta-feira.

Caminhões foram carregados com cerca de 383 toneladas de suprimentos para distribuir a cerca de 24 mil pessoas.

O porta-voz da Cruz Vermelha, Matthew Cochrane, disse à BBC que cerca de dois milhões de pessoas precisam de ajuda em alimentos e este número pode subir para cinco milhões - metade da população - até o final do ano.

"A situação é crítica", disse ele.

Leia mais sobre Zimbábue

    Leia tudo sobre: zimbábue

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG