Mugabe dá ultimato a Tsvangirai para assinar acordo no Zimbábue

Harare, 4 set (EFE).- O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, deu um ultimato para que o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, assine hoje um acordo para a formação de um Governo de união nacional, e disse que, caso isto não aconteça nomeará um gabinete sem sua participação.

EFE |

"Se terminar esta quinta e Tsvangirai não quiser assinar, dê por certo que reuniremos um gabinete", declarou Mugabe nesta quarta ao retornar da Zâmbia, onde foi ao enterro do falecido presidente do país, Levy Mwanawasa, publicou hoje o jornal governista "The Herald".

Mugabe afirmou que seu Governo está "apoiado em eleições", apesar de a oposição, que obteve a maioria na Câmara Baixa do Parlamento, não reconhecer a legitimidade da eleição dele, único candidato no segundo turno dos pleitos presidenciais do dia 27 de junho.

A oposição também não admite que haja um acordo para formar Governo, mas afirma que as negociações devem continuar até se chegar a um acordo, enquanto Mugabe diz que já existe um acordo que Tsvangirai se nega a assinar.

Na última terça, Tsvangirai, líder do opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC), disse à Agência Efe que não se assinou um acordo para formar um Governo de unidade no país porque Mugabe se nega a aceitar que ele ocupe o cargo de primeiro-ministro com poder executivo.

O ponto conflituoso das negociações foi o papel que ambos os políticos teriam no Governo de unidade, já que Mugabe pretende relegar Tsvangirai a "um posto totalmente inútil", segundo palavras do próprio líder da oposição.

Caso Mugabe aceite que Tsvangirai seja primeiro-ministro com poder executivo, este está disposto a deixar Mugabe na Presidência e na chefia das Forças Armadas e da Polícia.

Um porta-voz do Governo sul-africano disse também na última terça que as negociações, mediadas pelo presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, "ainda estão vivas", apesar de parecer que não há nenhum movimento nem que Tsvangirai esteja disposto a assinar o que Mugabe quer.

A formação de um Governo por Mugabe sem o acordo de Tsvangirai poderia aprofundar a crise política e econômica no Zimbábue, onde a comunidade internacional não reconheceu os resultados das eleições de junho. EFE jo/fh/fal

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