Mugabe critica domínio britânico e oposição no Zimbábue

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, atacou nesta sexta-feira a dominação britânica que vigorou no país até há poucas décadas, e criticou a oposição doméstica no primeiro discurso desde as eleições disputadas há quase três semanas. Abaixo os britânicos.

BBC Brasil |

Abaixo os ladrões que roubaram nosso país", discursou Mugabe, diante de cerca de 15 mil pessoas que participaram de um comício em Highfield, nos arredores da capital, Harare, em homenagem aos 28 anos de independência do pais.

Muitos espectadores vestiam camisetas decoradas com a figura de Mugabe, e portavam faixas e cartazes para demonstrar apoio às políticas oficiais. Mugabe saudou o fim do domínio da minoria branca após guerras de independência nas quais desempenhou um papel crucial nos anos 1970.

O presidente do Zimbábue subiu ao palco sob fortes aplausos, para celebrar o que descreveu como o dia em que "a nação finalmente rompeu as cadeias do colonialismo racista britânico".

"Nós, não os britânicos, estabelecemos a democracia baseada em uma pessoa, um voto", disse. "Democracia que rejeitou a discriminação racial e de gênero, e promoveu os direitos humanos e a liberdade religiosa."
"Nossa história política é bem conhecida, mas, com o tempo, nos sentimos mais desafiados a relembrá-la, especialmente para aqueles que parecem ignorá-la ou estão deliberadamente engajados em reverter nossa luta de libertação."
Incerteza
As declarações de Mugabe chegam em um momento em que os resultados da eleição presidencial realizada em 29 de março ainda são esperados.

Neste fim de semana, uma recontagem dos votos será realizada para esclarecer dúvidas a respeito da disputa entre Mugabe, do partido Zanu-PF, e o principal candidato da oposição, Morgan Tsvangirai, do partido Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês).

Tsvangirai diz que venceu a eleição no primeiro turno, mas a Comissão Eleitoral do país afirma que não pode divulgar resultados até investigar anomalias no processo. Ministros do governo afirmam que um segundo turno pode ser necessário.

Em uma entrevista coletiva em Joanesburgo, na África do Sul, o candidato da oposição disse que o Zimbábue está passando pelo "mais triste dia da independência desde a libertação do governo colonial".

Depois, em entrevista à BBC, Tsvangirai deu detalhes do que seriam linhas gerais de um acordo entre o MDC e o Zanu-PF para formar um governo sem Mugabe.

"Estávamos preparados para considerar o tema de um governo, inclusive com alguns membros do Zanu-PF", afirmou. "Estávamos discutindo quantos, e eles já falavam de um painel a partir do qual escolheríamos."
Na quinta-feira, Tsvangirai disse que o presidente sul-africano, Thabo Mbeki, deveria ser "relevado de suas funções" como mediador da crise política no país vizinho.

"Gostaríamos de agradecer ao presidente Mbeki por todos os esforços, mas o presidente Mbeki precisa ser relevado de suas funções", declarou o candidato da oposição no Zimbábue.

"Não podemos esperar outro dia, não podemos esperar outra semana, precisamos de um enviado, ou um comitê especial, ou uma delegação que venha ao Zimbábue imediatamente e cuide do problema."

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