Mugabe anuncia que eleições presidenciais seguirão no Zimbábue

Harare - O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, afirmou, nesta terça-feira, que o segundo turno das eleições presidenciais do país, marcado para esta sexta-feira, seguirão conforme o previsto, apesar de a oposição ter se retirado formalmente da disputa eleitoral.

Redação com agências internacionais |

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    AP
    "Os países ocidentais podem gritar o quanto quiserem, as eleições seguirão em frente. Aqueles que quiserem reconhecer nossa legitimidade podem fazê-lo, os que não quiserem, que não o façam", disse Mugabe durante uma manifestação do partido governista União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF).

    Depois de o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) ter adotado, pela primeira vez, um texto condenando a prática no país de atos violentos contra opositores, aumentaram, dentro da África, as pressões para que Mugabe adiasse as eleições.

    Tanto o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, quanto Jacob Zuma, líder do partido Congresso Nacional Africano (CNA, que controla a África do Sul atualmente), disseram que o segundo turno das eleições presidenciais deveria ser suspenso depois de Morgan Tsvangirai, candidato da oposição, ter se retirado da disputa e buscado abrigo na Embaixada da Holanda em Harare.

    EFE
    Eleitores pró Mugabe vão às ruas
     Em um comunicado, Wade afirmou que Tsvangirai tinha procurado abrigo depois de receber informações sobre a chegada iminente de soldados a sua casa. 'Ele só está em segurança porque, alertado por amigos, saiu correndo dali alguns minutos antes', afirmou Wade.

    Zuma, um adversário do presidente sul-africano, Thabo Mbeki, defendeu a intervenção urgente da ONU e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), afirmando que a situação no Zimbábue encontra-se fora de controle.

    'Para o CNA, o segundo turno não representa mais uma solução. Os senhores precisam antes selar um acordo político para então realizar eleições', disse Zuma.

    Os 15 países que integram o Conselho de Segurança repetiram a preocupação cada vez maior da comunidade internacional com a instabilidade política e a crise econômica no Zimbábue, problemas atribuídos pela oposição e pelo Ocidente a Mugabe, 84, no poder há 28 anos.

    A África do Sul, a China e a Rússia, que haviam antes impedido que o órgão adotasse qualquer medida a respeito do Zimbábue, aceitaram o texto condenando de forma unânime o derramamento de sangue naquele país.

    Tsvangirai não pediu asilo, mas passou uma segunda noite na embaixada holandesa, na segunda-feira. No dia seguinte, o oposicionista afirmou à Rádio 1, da Holanda, estar no local em caráter temporário e que o governo havia dado garantias ao embaixador da Holanda sobre a segurança dele.

    Reuters
    Opositor de Mugabe participa de comício

     O ex-candidato à Presidência afirmou que sairia do local dentro de alguns dias e que Mugabe não poderia mais desafiar a opinião pública internacional.

    Os chanceleres dos países-membros da SADC discutiram a crise em um encontro realizado na segunda-feira, em Luanda (capital de Angola).

    A agência angolana de notícias Angop disse que, segundo o secretário-executivo da SADC, Tomaz Salomão, a comunidade havia concordado com Tsvangirai sobre existir um 'clima de extrema violência' no Zimbábue e sobre o governo precisar proteger seus cidadãos.

    Em um texto que não tem poder de lei, o Conselho de Segurança condenou a 'campanha de violência contra a oposição política, o que resultou no assassinato de vários ativistas da oposição e de outros zimbabuanos, além do espancamento de milhares de pessoas, entre as quais mulheres e crianças, e a expulsão delas de suas casas.'

    (*com informações das agências Efe e Reuters)

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