Mugabe admite novas eleições se Governo de coalizão não se formar

Harare, 5 dez (EFE).- O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, admitiu a possibilidade de novas eleições gerais nos próximos dois anos se o Governo de coalizão firmado oficialmente em 15 de setembro não avançar, informou hoje o jornal oficial The Herald.

EFE |

"Se o que acordamos não funcionar no próximo ano e meio ou em dois anos, então optaríamos por realizar novas eleições", declarou Mugabe ontem diante de numerosos seguidores de seu partido, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF).

Segundo o "The Herald", Mugabe conclamou os simpatizantes da Zanu-PF a se prepararem para a realização de eleições, já que "poderiam acontecer em qualquer momento".

Mugabe aceitou há mais de dois meses compartilhar os ministérios do Governo com o líder do opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai, e com o representante da facção minoritária deste partido, Arthur Muthambara, mas as partes ainda não chegaram a um consenso.

As disputas sobre a divisão das pastas dificultam a implementação do acordo, intermediado pelo ex-presidente sul-africano Thabo Mbeki, já que tanto Mugabe como Tsvangirai querem o Ministério do Interior, que controla a Polícia.

Além disso, o MDC acusa o Mugabe de querer ficar com o controle de todos os ministérios-chave, relegando a oposição "a um segundo plano na divisão do Governo".

Mugabe respondeu ontem às exigências da oposição em declarações em frente às sedes sociais da Zanu-PF, em Harare, e disse que "o MDC deveria dizer que 'não' se não quer fazer parte deste Governo de unidade".

A vitória do MDC nas eleições parlamentares de 29 de março e a pequena margem entre ela a governamental Zanu-PF no pleito presidencial, trouxe consigo uma onda de violência e repressão contra os integrantes do MDC, dos quais mais de 50 foram assassinados.

Conseqüentemente, a oposição decidiu não se candidatar ao segundo turno, pelo que a comunidade internacional pediu diversas vezes novas eleições presidenciais em junho, mas os analistas afirmam que elas só deveriam ocorrer sob a supervisão de observadores internacionais.

Robert Mugabe é, até hoje, o único presidente da história do Zimbábue, que governa desde sua independência, em 1980. EFE rt/jp

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