Mudanças no governo de Cuba não são gesto em direção aos EUA (analistas)

As mudanças implementadas pelo presidente de Cuba, Raúl Castro, em cargos vitais de seu governo, significam uma consolidação de seu poder, um ano depois da sucessão de Fidel Castro, e não um gesto para tentar agradar aos Estados Unidos, afirmam analistas do exílio cubano em Miami.

AFP |

"Esta medida mostra três aspectos importantes: a consolidação do poder de Raúl Castro após a sucessão de Fidel, a militarização da sociedade e uma busca por mais produtividade para a economia cubana", explica à AFP o analista Jaime Suchlicki, diretor do Instituto de Estudos Cubanos da Universidade de Miami (UM).

"Estamos vendo mais militares em posições chave, e com mais influência, mas o que está muito claro é a forte preocupação que existe no governo cubano com a situação econômica", acrescenta.

Para Suchlicki, Raúl Castro deve se esforçar acima de tudo para "melhorar a produção de alimentos para tranquilizar o povo, que está desiludido e não viu nenhuma mudança" com sua chegada ao governo.

O especialista afirma ainda que estes anúncios não são um gesto em direção a Washington, a fim de promover uma mudança nas relações com os Estados Unidos.

"O governo de Raúl Castro não está disposto a oferecer nada, a fazer nenhuma concessão. Estas decisões nada têm a ver com expectativas sobre o futuro do embargo. Essa percepção é equivocada", indica Suchlicki.

Ele destaca que as demissões do chanceler Felipe Pérez Roque e do vice-presidente Carlos Lage "não encerram o ciclo de Fidel Castro, mas colocam mais um prego em seu caixão".

Já o sociólogo Lisandro Pérez, especialista em assuntos cubanos da Universidade Internacional da Flórida (FIU), estima que as mudanças no governo respondem a "uma tentativa de Raúl Castro de colocar pessoas de sua confiança".

"Não acredito que esta decisão implique em uma mensagem para os Estados Unidos, principalmente levando em conta que os funcionários demitidos não eram linha-dura como o são Ramiro Valdéz e Ricardo Alarcón, que continuam no governo", pondera.

jco/ap/sd

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