Mudanças estratégicas ajudaram EUA a encontrar Bin Laden

Veja alguns dos fatores que possibilitaram ao governo Obama colocar fim à mais de uma década de caça ao líder terrorista

Marsílea Gombata, iG São Paulo |

Dentre dúvidas e mistérios que rondam a morte de Osama bin Laden , uma questão é determinante: por que o líder da Al-Qaeda só foi encontrado agora, após uma busca de mais de dez anos?

Uma série de mudanças técnicas possibilitou a morte de Bin Laden apenas agora. Dentre elas, o aumento das tropas no Afeganistão, assim como maior envolvimento da agência de inteligência americana, a CIA, e o foco das operações de busca voltado mais para cidades e menos para áreas tribais da fronteira entre Paquistão e Afeganistão, onde se acreditava estar Bin Laden.

Seguindo sua promessa de campanha eleitoral em 2008 - de que tiraria as tropas do Iraque e se concentraria no Afeganistão, na caça por Bin Laden -, Obama priorizou o conflito no Afeganistão. “Diferentemente de Donald Rumsfeld (secretário de Defesa no governo de George W. Bush (2001-2009), que buscou envolvimento mínimo das tropas na busca por Bin Laden e para derrubar o Taleban, Obama aumentou o contigente no país. Para isso, retirou soldados do Iraque para levar mais ao Afeganistão, onde a CIA passou a ter um papel maior, a ponto de cruzar a fronteira com o Paquistão”, avaliou Azzedine Layachi, cientista político da St. John's University, em Nova York.

Uma outra mudança do governo Obama em relação à administração de Bush seria uma ordem dada para equipes priorizarem buscas em cidades e não apenas em áreas na montanhosa fronteira entre os países vizinhos do sul da Ásia. Segundo Ely Karmon, do International Institute for Counter-Terrorism, em Herzlyia, Israel, um dos pontos mais importantes é o fato de a operação ter ocorrido perto da capital paquistanesa, Islamabad. “Desde 2002, seis importantes líderes da organização, incluindo Khaled Sheikh Mohammed, mentor do 11 de Setembro, foram mortos em cidades paquistanesas e não em cavernas ou áreas tribais”, lembrou.

Obama precisava não apenas encontrar Bin Laden, mas ter 100% de certeza, ou o presidente e sua equipe pareceriam incompetentes. Assim, ele buscou dinamizar o compartilhamento de informações entre agentes e órgãos de inteligência americanos. Em análise publicada no site do "The New York Times", Rachel Kleinfeld, fundadora do Truman National Security Project, especializado em segurança nacional, disse que as agências de inteligência americanas tinham enorme dificuldade em compartilhar informações até 2004, quando o general Stanley McChrystal assumiu o Joint Special Operations Command, encarregado de estudar técnicas para operações especiais.

Crédito

Apesar de a caça por Bin Laden ter levado mais de um década e ter rendido mais manchetes de jornal na gestão Bush, ainda se discute de qual presidente é o mérito pela operação exitosa. Ari Fleischer, secretário de imprensa no primeiro mandato de Bush, disse que a conquista pode ser dividida entre dois presidentes, mas “Obama tem o crédito”. “A decisão de utilizar helicópteros em oposição a bombardeios aéreos foi extremamente corajosa”, lembrou nesta semana.

Para o analista de inteligência britânico Richard Bennet, talvez a administração Bush tirasse proveito do fato de Bin Laden estar desaparecido, “como desculpa para as ações militares dos EUA em outros países”.

Obama, cujos índices de popularidade subiram após a morte do terrorista mais procurado do mundo, lançou mão de mudanças fundamentais que levaram à captura de Bin Laden, mas nem por isso deixou de contar com o acaso. “Muitas vezes, é uma questão de pura sorte”, concluiu Karmon.

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