Mudança ministerial gera expectativa por conflito agrário

A substituição do ministro da Economia gera expectativas na Argentina, que está a uma semana do fim da trégua dos produtores agrários, classe em pé de guerra contra a política fiscal do governo, após 21 dias de uma greve que causou desabastecimento nas cidades do país.

AFP |

"Se tivermos uma opinião clara do novo ministro de Economia, Carlos Fernández, poderemos tratar de uma prorrogação de uma semana ou 10 dias, não mais que isso", disse neste sábado Pedro Apaolaza, presidente da Confederação de Associações Rurais de Buenos Aires e de La Pampa (Carbap).

Na próxima sexta-feira termina o prazo da trégua de um mês anunciada em 2 de abril pelos agricultores, depois de 21 dias de uma dura paralisação que bloqueou estradas, para negociar uma solução para o mais grave conflito que o governo de Cristina Kirchner teve que enfrentar desde que assumiu o poder em 10 de dezembro do ano passado.

"Há expectativa. Vamos dar ao governo um pequeno crédito, bem pequeno, para ver se assume o papel que deve assumir", avisou Pablo Orsolini, dirigente da Federação Agrária, que reúne 100.000 pequenos e médios produtores.

A mudança ministerial foi marcada pelas duras negociações entre o governo e os líderes de milhares de produtores agrícolas, que estavam em pé de guerra contra o aumento dos impostos das exportações de grãos, o que causou a renúncia do ministro de Economia, Martín Lousteau.

"Lousteau tomou uma decisão, o tema das retenções móveis, que causou um enorme conflito para ele e para o governo", admitiu o chefe de gabinete, Alberto Fernández.

Carlos Fernández não antecipou que medidas serão tomadas, mas destacou que "na Argentina a saída de um ministro de Economia já não provoca mais crises".

O novo ministro, de alta confiança do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), disse que sua nomeação ao cargo não mudará a política econômica baseada em um superávit fiscal forte, na alta da moeda, no crescimento a uma taxa de quase 9% por ano e no estímulo ao consumo.

Os agropecuaristas reivindicam a suspensão do aumento de impostos às exportações de grãos, especialmente da soja, o principal produto de exportação do país, com uma colheita prevista para 2008 avaliada em 24 bilhões de dólares.

A medida adotada em 11 de março por Lousteau gerou a rebelião no campo, mas até agora as autoridades argentinas não recuaram em sua determinação.

O presidente das Confederações Rurais Argentinas (CRA), Mario Llambías, disse neste sábado que o setor tinha "péssimas relações" com Lousteau e espera que a mudança ministerial seja "uma oportunidade de uma abertura para que se encontre a solução que o país precisa".

Os dirigentes do campo foram convidados e participaram da posse de Fernández no Salão Branco da Casa Rosada, sede do governo, onde cumprimentaram a presidente.

No entanto, pouco depois seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, que estimula a política econômica, fez duros ataques ao campo na cidade de Mendoza.

"Baixem sua rentabilidade", clamou o líder do Partido Justicialista (PJ, peronista), que prometeu "uma batalha nacional contra aqueles que desejam tirar os alimentos básicos da mesa dos argentinos".

O governo busca conter o aumento dos preços dos alimentos básicos no mercado interno, já que a inflação aparece como o maior desafio do novo ministro.

Apesar das previsões de analistas e de organizações de que a inflação chegue a 20% ou 30% este ano, o instituto governamental de estatísticas INDEC calcula que a inflação ficará abaixo dos 10% em 2008.

ls/cl/fp

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