Mudança em Gabinete não melhora situação econômica da Venezuela, diz oposição

Caracas, 16 jan (EFE).- Setores da oposição venezuelana descartaram hoje que a remodelação ministerial e o aumento salarial de 25% anunciados pelo Governo do país se traduza em uma melhoria da perspectiva econômica do país, que começou este ano com uma forte desvalorização de sua moeda e uma crise de energia sem precedentes.

EFE |

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou ontem à noite a fusão dos ministérios de Planejamento e Finanças, para dar maior coordenação em matéria econômica, explicou durante a prestação de contas sobre sua gestão em 2009 no Parlamento.

Chávez informou que o atual ministro do Planejamento, Jorge Giordani, assumirá as rédeas do novo Ministério, e que o até agora titular de Finanças, Alí Rodríguez, passará a comandar o Ministério de Energia Elétrica, criado em outubro passado para enfrentar a crise que castiga o setor desde meados de 2008.

Para o dirigente opositor Cipriano Heredia, as mudanças ministeriais "são panos quentes", e atribui a Chávez um estado de "grande nervosismo" pelo efeito negativo da crise de energia e da desvalorização do bolívar, a moeda venezuelana, sobre sua popularidade.

Em declarações à imprensa local, Heredia acrescentou que a remodelação do gabinete econômico não mudará o panorama do setor porque não evidencia uma virada na política econômica.

As razões da crise econômica "se mantêm, e tudo indica que a situação vai piorar", acrescentou.

O dirigente sindical opositor Manuel Cova afirmou que enquanto o Governo "revolucionário" mantiver suas "ameaças" contra o setor privado, a crise econômica persistirá, resultante da pouca produtividade nacional e da dependência da renda oriunda do petróleo.

Cova também considerou o aumento de 25% sobre o salário mínimo como insuficiente e exigiu que esse ajuste seja de 60%.

Secretário-geral da tradicional Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV), Cova argumentou que a forte desvalorização do bolívar terá um "impacto de 60%" na inflação deste ano.

A inflação venezuelana fechou 2009 a 25,1%. Em 2008, a taxa foi de 30,9%.

Na segunda-feira, entrou em vigor um novo esquema cambial com duas taxas controladas, de 2,60 e 4,30 bolívares por dólar, o que significa uma desvalorização de 20,9% e 100% em relação à taxa única anterior de 2,15 bolívares.

O presidente venezuelano remodela seu gabinete em meio a uma crise inédita no fornecimento de energia elétrica, o que obrigou o Governo a aplicar desde quarta-feira um racionamento em todo o país, salvo em Caracas, onde a medida foi suspensa.

Alí Rodríguez substitui Ángel Rodríguez no Ministério de Energia Elétrica, que foi destituído na quarta-feira depois da "péssima" implantação do racionamento em Caracas, segundo Chávez.

O plano de blecautes programados na capital foi suspenso menos de 24 horas após sua implantação, mas continua em vigor no resto do país com cortes de entre duas e quatro horas a cada dois dias ou menos, dependendo da região.

Esse cronograma oficializou os apagões que desde o ano passado ocorrem frequentemente em quase todas as regiões do país devido a uma crise que o Governo venezuelano atribui à seca.

A oposição venezuelana exigiu hoje do Executivo a suspensão "imediata" do "discriminatório" racionamento e pediu a aplicação de um novo plano, cuja concepção seja "definida com os cidadãos" e as administrações municipais e regionais.

Os 11 partidos opositores aglutinados na chamada Mesa da Unidade Democrática (MUD) também propuseram adiantar a hora oficial venezuelana em uma hora durante o racionamento "para aproveitar melhor a luz solar".

Em comunicado, a MUD reiterou que a crise do setor elétrico, controlado pelo Estado, é consequência da "irresponsável gerência" de Chávez, que em seus 10 anos de Governo não teria realizado os investimentos para fazer frente ao previsto aumento de entre "3,5% e 4%" na demanda nacional.

Chávez sustentou ontem que a "seca é a única razão" do racionamento elétrico, mas reconheceu que seu Governo incorreu em certo "manejo ineficiente" do setor. EFE gf/bba

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