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Mudança de status de bancos põe fim em expansão sem limites

A notícia de que o Morgan Stanley e o Goldman Sachs conseguiram mudar seu status de bancos de investimentos para bancos comerciais é extraordinária. É exatamente o contrário do que aconteceu depois da Grande Depressão em 1929, quando o governo americano decidiu que a melhor maneira de proteger o dinheiro dos cidadãos era impedir que bancos de investimentos tivessem acesso a depósitos feitos por pessoas comuns.

BBC Brasil |

Segundo o Ato Glass-Steagall, de 1933, instituições que haviam se envolvido em operações comerciais de alto risco eram impedidas de receber depósitos considerados seguros.

A proibição foi suspensa em 12 de novembro de 1999 e, desde então, tem se testemunhado uma rápida convergência entre bancos de investimento e comerciais.

Benefícios
Os novos padrões, no entanto, não têm sido um modelo de sucesso. Os bancos Citi e UBS, apenas para nomear dois, perderam somas colossais de seus investimentos ligados aos empréstimos do tipo sub-prime, colocando seus clientes em perigo (apesar de os dois terem sobrevivido).

Ainda assim, na trilha do colapso do mercado de crédito, a nova ortodoxia prega que todos os bancos de investimento possam se tornar instituições bancárias comerciais, tendo acesso a seus depósitos.

Uma das razões por trás da mudança de paradigma é porque os depósitos feitos a bancos comerciais são mais estáveis. Em outras palavras, eu e você temos menos probabilidade de entrar em pânico e sacar todo nosso dinheiro no primeiro indício de que nossos bancos estão em apuros.

Os bancos contam com a nossa inércia para sobreviver, o que, aliás, não é uma garantia.

Em segundo lugar, o impacto econômico e político que pode ser causado por danos provocados ao nosso dinheiro é tamanho, que os bancos comerciais que recebem nossos depósitos recebem muito mais proteção do que outros tipos de bancos.

No contexto americano, por exemplo, há um seguro oficial oferecido aos depósitos.

Além disso, e mais importante, a conversão do Goldman Sachs e Morgan Stanley em bancos comerciais possibilitará o acesso ao fundo de emergência que está sendo arquitetado pelo governo americano.

Em última análise, esta mudança de status pode ser o sinal do desastre da regulação financeira global ao longo da última década.

Economia 'de joelhos'
A separação original entre bancos de investimentos e comerciais tinha como objetivo impedir que clientes comuns fossem atingidos pelo colapso de instituições como o Goldman Sachs ou Morgan Stanley.

Mas diante do tamanho crescimento dessas duas instituições e relação de dependência estabelecida com os bancos que tomam conta das nossas poupanças fazem com que elas tenham se tornado grande demais para quebrar.

Há apenas uma semana, o tesouro americano correu um grande risco ao deixar o Lehman brothers ir à falência.

Desde então, as repercussões quase deixaram os Estados Unidos, a maior economia do mundo, de joelhos.

O colapso do Lehman Brothers foi o que em parte motivou ações coordenadas para injetar bilhões de dólares nos mercados financeiros de todo o mundo e o anúncio do pacote de emergência americano de US$ 700 bilhões.

A atitude do Fed em autorizar a mudança de status do Goldman Sachs e do Morgan Stanley significa que a instituição prefere que os dois bancos beneficiem de sua proteção do que sustentar a ilusão de que podem quebrar.

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