Mudança climática gera confusão nas temperaturas na Antártica

Barcelona, 9 out (EFE) - A mudança climática está causando um paradoxo quanto às temperaturas na Antártica, pois, enquanto na península a temperatura aumenta, reduzindo drasticamente as colônias de pingüins, no resto do continente ocorre um esfriamento em conseqüência de novas correntes de vento.

EFE |

É o que mostra o relatório do WWF e da Fundación Vida Silvestre Argentina sobre os riscos enfrentados pelos pingüins nos próximos anos caso a temperatura na península antártica suba dois graus, como apontam alguns estudos.

Andrés Barbosa, pesquisador do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC, na sigla em espanhol), explicou que o aumento da temperatura na península provocou a redução do gelo marinho e, com isso, a produção do fitoplâncton, principal alimento do krill, consumido não só pelos pingüins, mas por outros vertebrados.

Seu habitat natural são as águas cobertas pelo gelo durante grande parte do ano que se forma nos oceanos polares.

O pesquisador afirma que, enquanto na península antártica, onde há muitas colônias destas espécies, a temperatura sobe, no resto do continente a mudança climática está produzindo um esfriamento.

Esta situação é alarmante, sobretudo no verão austral, época de cria das espécies, já que gera uma redução da espessura da placa de gelo, o que afasta as colônias de pingüins e seus ninhos do mar, e, portanto, do alimento, podendo levar à morte dos filhotes.

O coordenador do programa de Mudança Climática da Fundación Vida Silvestre Argentina, Juan Casavelos, fez um apelo urgente à comunidade internacional para que se reduzam os gases estufa com um novo acordo global, além do Tratado de Kyoto.

O novo pacto deveria estabelecer como meta uma diminuição destas emissões entre 25% e 40% até 2020 e de 80% para meados deste século.

Os responsáveis do WWF alertam para que a atividade humana realizada a milhares de quilômetros afeta um lugar remoto como a Antártida, o que torna necessário "repensar o modelo energético".

O estudo foi elaborado por uma equipe do WWF e de várias universidades americanas e dirigido por David Ainley, Joellen Russell e Stéphanie Janouvier.

Antes da apresentação do relatório, um grupo de manifestantes fantasiados de pingüins protestou contra o aumento da temperatura na península antártica e os seus efeitos sobre as espécies.

"Se continuarmos ignorando o perigo de aquecer o planeta devido à queima de combustíveis fósseis, não só nós e os outros animais desaparecemos, mas também vocês estarão em risco", disse o "pingüim porta-voz" do ato, convocado também pelo WWF. EFE saf/rb/db

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