(embargada até às 22h01, horário de Brasília) Bruxelas, 19 out (EFE).- A mudança climática é mais rápida e profunda do que se previa até agora, diz uma recopilação das últimas pesquisas publicada hoje pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF, em inglês).

Por isto, a organização faz um apelo à União Européia (UE) para que "assuma suas responsabilidades" e aumente de 20% para 30% a redução de gases do efeito estufa para 2020.

No ano passado, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), ganhador do Prêmio Nobel da Paz, publicou um relatório com opiniões de 4 mil cientistas de 150 países que alertavam para uma "nova época climática" na qual a temperatura global poderia subir até 6 graus até 2099.

No entanto, apenas um ano depois os avanços na pesquisa mostram um panorama ainda mais preocupante, como reconhece no relatório da WWF o vice-presidente do IPCC, o professor de Climatologia da Universidade Católica de Louvain Jean-Pascal van Ypersele.

Assim, os novos estudos mostram que o aumento do nível do mar, previsto pelo IPCC em 0,59 metro para o final do século, poderia atingir o dobro desta elevação.

Na região mediterrânea, temperaturas extremamente altas como as experimentadas em 2003 (que causaram 35 mil mortes em toda Europa, segundo o relatório), serão três vezes mais freqüentes no final de século.

Ao mesmo tempo, haverá um "notável aumento das secas de longa duração" e das secas das terras de cultivo.

Além disso, o degelo do Oceano Ártico será uma realidade 30 anos antes do que o previsto, e, pela primeira vez em um milhão de anos, poderia acontecer entre 2013 e 2040.

O aquecimento global também fará com que os níveis das chuvas e inundações aumentem em quase toda a Europa.

Os recentes estudos falam de um aumento no número e na intensidade dos ciclones sobre as Ilhas Britânicas e o Mar do Norte, que se transformarão em furacões e tempestades no oeste e no centro da Europa, enquanto as geleiras nos alpes suíços continuarão desaparecendo.

"Está claro que a mudança climática está tendo um impacto maior que o que a maioria dos cientistas tinha previsto, por isto é vital que a resposta internacional seja ainda mais ambiciosa", afirma o professor Ypersele, que considera a redução de 20% das emissões prevista pela UE "insuficiente".

Os ministros de Meio Ambiente da UE devem debater amanhã em Luxemburgo alguns dos pontos mais complicados do plano europeu contra a mudança climática, pressionados pela necessidade de resolver o mais rápido possível as diferenças entre os países para poder chegar a um acordo em dezembro.

A crise financeira ameaça frear as medidas projetadas, como já evidenciou a cúpula que os líderes da UE realizaram nas últimas quartas e quinta-feira, quando cerca de dez países pediram uma redução destes compromissos. EFE met/ab/fal

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