Mudança climática e crise alimentícia serão temais centrais na cúpula do G8

Patricia Souza Tóquio, 6 jul (EFE).- Os líderes do Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete países mais industrializados e a Rússia) estudarão na cúpula do órgão, em Hokkaido (norte do Japão), a partir de amanhã, como enfrentar a mudança climática, apesar de parecer difícil a obtenção de um acordo para reduzir as emissões de CO2 até 2020 ou 2050.

EFE |

A crise alimentícia, com seu crescente impacto econômico e social, a escalada do preço do petróleo e a ajuda à África são outros grandes temas do encontro, que reunirá os líderes dos países mais ricos do mundo até quarta-feira em um luxuoso hotel de Toyako, em Hokkaido, no norte do arquipélago japonês.

Vigiados por mais de 20 mil policiais, os líderes de Japão, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Canadá, Alemanha e Rússia se unirão em algumas ocasiões aos governantes de 14 países emergentes e em desenvolvimento, incluindo o Brasil, que estará representado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Também estarão presentes primeiros-ministros ou presidentes de China, Índia, México, África do Sul, Austrália, Indonésia, Coréia do Sul, Argélia, Etiópia, Gana, Nigéria, Senegal e Tanzânia.

Será a última cúpula do G8 para o americano George W. Bush e a primeira para o russo Dmitri Medvedev. O francês Nicholas Sarkozy comparecerá ainda na condição rotativa de chefe da União Européia (UE).

Haverá também convidados de alto escalão como o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o presidente da Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE), o português José Manuel Durão Barroso.

Os dirigentes reunidos em Hokkaido, em instalações meticulosamente elaboradas para respeitar o meio ambiente, terão a luta contra a mudança climática como grande tema a ser debatido, com pressões por parte do Japão e da UE para que seja definido pelo menos uma meta de redução de CO2 para 2020.

Mas as minutas do comunicado final, que já circulam na imprensa, não incluem referências a metas para essa data ou mesmo 2050, para quando o Japão gostaria de definir um corte de 50% nas emissões globais de CO2, apesar de seu primeiro-ministro, Yasuo Fukuda, pretender que o país as rebaixe entre 60% e 80%.

A proposta de Tóquio reflete o compromisso japonês com o meio ambiente, apesar de os mais pessimistas lembrarem que vem de um país que, em vez de reduzir suas emissões em 6% - como tinha se comprometido no Protocolo de Kioto -, as aumentou em 8%.

A minuta da declaração final do G8, obtida pela agência japonesa "Kyodo", informa simplesmente que "são essenciais maiores compromissos ou medidas por parte das principais economias para combater a mudança climática".

O documento pedirá ainda, segundo a mesma fonte, que se expanda a energia nuclear civil na luta contra o aquecimento global, sob os princípios da não-proliferação e da segurança internacional e em colaboração com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Marcar ou não uma data concreta para as reduções globais de CO2, como pedem Ban Ki-moon, Tony Blair - ex-primeiro-ministro britânico - e os próprios ministros de Meio Ambiente dos países que compõem o G8, poderia ser o grande tema em questão nos três dias de reuniões, apesar de o próprio Fukuda admitir que a conquista do objetivo seja pouco provável.

Outro tema em debate será - e pela primeira vez em várias décadas durante uma reunião entre os países mais ricos - a alta nos preços dos alimentos, que para a ONU é, junto com a mudança climática, um dos grandes desafios mundiais.

O G8 debaterá o comércio de alimentos básicos como milho e arroz, cujos preços dobraram ou triplicaram, o efeito dos biocombustíveis e a produtividade da agricultura, segundo o primeiro-ministro japonês.

Finalmente os líderes falarão sobre o desenvolvimento da África.

Para isso, terão como interlocutores em um fórum sete líderes africanos ávidos por ouvir a confirmação do G8 de que a ajuda do órgão chegará a US$ 25 bilhões anuais, como havia ficado decidido em 2005 na cúpula de Gleneagles, na Escócia.

A minuta do comunicado, no entanto, não inclui até o momento referências a esse número ou à promessa das nações ricas de repassar US$ 60 bilhões para a luta contra doenças como malária, aids e tuberculose na África. EFE psh/fr

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