Mudança climática afetará segurança nacional dos Estados Unidos (relatório)

As mudanças climáticas terão provavelmente amplas conseqüências para a segurança nacional dos Estados Unidos até 2030 ao aumentar a pobreza no mundo e desestabilizar muitos países já fragilizados, diz um relatório da inteligência americana divulgado nesta quarta-feira.

AFP |

"Consideramos que as mudanças do clima terrestre terão implicações extensas para os interesses da segurança nacional dos Estados Unidos nos próximos 20 anos", declarou Thomas Fingar, diretor adjunto do serviço de Análise da Inteligência Nacional (National Intelligence for Analysis) na Câmara dos Representantes.

"O impacto mais significativo para os Estados Unidos será indireto e resultará dos efeitos das mudanças climáticas sobre vários outros países e sua capacidade de afetar nossa segurança nacional", acrescentou, apresentando o relatório às comissões de inteligência, e de independência energética e aquecimento global da Câmara.

Essa avaliação solicitada pelo Congresso resume o consenso dos melhores analistas das 16 agências americanas sobre o tema.

A inteligência americana, que baseia suas projeções nas mudanças climáticas como descreve o informe de especialistas intergovernamentais da ONU, prevê sobretudo que seu impacto agrave problemas já existentes como a pobreza, as tensões sociais, a degradação do meio ambiente, o enfraquecimento das instituições políticas e o aumento da emigração econômica.

As mudanças climáticas, assim como as políticas aplicadas para enfrentá-las poderão afetar também o bom funcionamento do sistema internacional de comércio e de acesso aos mercados de matérias-primas essenciais como o petróleo e o gás com "conseqüências geopolíticas importantes", ressaltou também Fingar.

Os efeitos das mudanças climáticas poderão ameaçar a estabilidade de alguns países com a possibilidade de conflitos regionais provocados principalmente pelo acesso à água, que se transformará em um bem escasso em algumas regiões.

As chuvas mais abundantes em algumas partes da Ásia e o derretimento das geleiras das montanhas, devido à elevação das temperaturas, poderão gerar mais água, mas o aumento do consumo e o crescimento da população também poderão continuar causando escassez, chegando a afetar até 1,2 bilhão de pessoas.

A América Latina poderá ter mais precipitações até 2030, mas entre 7 a 77 milhões de pessoas poderão sofrer com a falta de água, segundo o informe.

A África é uma das regiões mais vulneráveis, tanto que alguns cultivos poderão ser reduzidos pela metade até 2020 devido a uma diminuição das chuvas como resultado das mudanças do clima.

Em algumas regiões da Ásia com cultivos são sensíveis à seca e às inundações, as colheitas de arroz e cereais poderão diminuir 10%, de acordo com o informe.

No total, até 50 milhões de pessoas a mais poderão ser ameaçadas pela fome nos próximos 12 anos.

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