Muçulmanos começam Ramadã em grande parte do Oriente Médio

CAIRO - O Ramadã, mês em que os muçulmanos jejuam desde a aurora até o pôr-do-sol, começou neste sábado na maioria dos países árabes do Oriente Médio, com reencontros familiares e recolhimento, embora sem deixar de ser festivo e com fartura culinária.

EFE |

O começo do mês sagrado muçulmano foi anunciado depois que os sábios da religião viram a primeira faixa da lua crescente, que aponta o começo de um novo período lunar. O método tradicional praticado pelos fiéis muçulmanos para decidir o início do Ramadã é olhar o céu sem ajuda de nenhum instrumento em busca da lua crescente ("hilal").

EFE

Mulher observa o pôr-do-sol do primeiro dia do Ramadã na Jordânia

O dia seguinte é considerado o primeiro do Ramadã, um mês em que os crentes se abstêm de comer, beber, fumar e manter relações sexuais da aurora ao pôr-do-sol. Este ano, pela primeira vez, as autoridades da Arábia Saudita, berço do Islã, decidiram usar telescópios para determinar a data exata da fase crescente da Lua.

Enquanto a maioria dos países árabes viu a lua crescente na quinta-feira para decidir o começo do Ramadã, a Líbia anunciou já há dias que começaria na sexta-feira. No Iraque, o Ramadã tem duas datas para começar, uma para os sunitas e outra para os xiitas - da mesma forma que em Líbano e Síria.

As autoridades religiosas sunitas do Iraque pediram a seus fiéis que buscassem a lua crescente na quinta-feira, enquanto os xiitas determinaram a sexta como data. Perante a onda de violência que atingiu Bagdá dois dias antes do começo do Ramadã, as autoridades da capital iraquiana prepararam um plano de segurança especial para facilitar aos fiéis cumprir os rituais.

Apesar dos atentados de quarta-feira passada, que mataram 95 pessoas em Bagdá, os iraquianos abarrotaram os mercados, como no resto das capitais da região, para comprar alimentos típicos do Ramadã.

No Egito, a maioria dos supermercados e confeitarias montou estoques adicionais para apresentar os produtos especiais do período, caracterizado pelo rigoroso jejum e fartos desjejuns. Entre os alimentos típicos da "iftar" (ruptura do jejum) figuram as frutas secas, conhecidas pelo nome de "yamish", e os doces orientais.

AFP

Homem afegão prepara doces para serem vendidos nos desjejuns

Dias antes do começo do Ramadã, as autoridades egípcias lançaram uma campanha para controlar os preços nos mercados e detectar qualquer caso de abuso. Uma campanha parecida foi lançada nos Emirados Árabes Unidos, onde o Ministério da Economia adotou um plano para evitar a alta dos preços durante o mês de jejum, paradoxalmente uma temporada onde se multiplica o consumo de alimentos.

Este mês, o que distingue o Ramadã nos Emirados Árabes de edições anteriores é a competição entre várias ONGs para oferecer aos fiéis com menos renda refeições melhores. Uma dessas, a organização de caridade de Zayed bin Nahyan, anunciou que enviará ao Barein um comboio de sete caminhões carregados com 100 toneladas de alimentos do Ramadã para que sejam distribuídos entre os pobres.

Na Síria, onde o Ramadã é vivido mais na intimidade que no Egito, as telenovelas ameaçam se tornar mais um ano protagonistas. Já no vizinho Líbano, os líderes políticos das diferentes tendências religiosas aproveitam a hora da ruptura do jejum, que coincide com a oração do pôr do sol, para fazer discursos políticos.

Os crentes xiitas também não entraram em consenso sobre o começo e o fim do mês de jejum. Enquanto os seguidores do clérigo Mohammed Hussein Fadlala, que seguem cálculos astronômicos para decidir o começo do Ramadã, começaram o jejum na sexta-feira, fiéis do grupo opositor Hisbolá, junto a seus colegas da Síria, optaram por esperar o aviso dos clérigos iranianos.

AFP

Mulher faz oração em mesquita na Indonésia no primeiro dia do Ramadã

Os libaneses sunitas optaram, mais uma vez, por seguir os cálculos das autoridades sauditas e começar hoje o jejum. O caráter sagrado do Ramadã, nono mês do calendário islâmico, é por ter sido o período em que, segundo a tradição, o profeta Maomé recebeu a revelação do Corão.

O jejum, considerado um dos cinco pilares do Islã, deve ser cumprido por todo muçulmano, exceto pelas mulheres grávidas, os doentes, as crianças e os turistas.

Leia mais sobre: Ramadã

    Leia tudo sobre: ramadã

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG