Muçulmanos chegam ao Monte Arafat, grande momento da peregrinação a Meca

Milhões de fiéis muçulmanos se concentravam para rezar neste domingo no monte Arafat, um dos momentos mais importantes do Hajj, a peregrinação à cidade sagrada de Meca, na Arábia Saudita, que começou no sábado.

AFP |

O ritual seguia sem incidentes neste domingo, em meio a um forte esquema de segurança.

No meio da tarde, milhares de fiéis participaram de uma oração coletiva na mesquita de Namera, construída no local onde Maomé teria rezado ao fazer sua peregrinação.

No templo, o mufti da Arábia Saudita, Adbel Aziz al-Sheik, exortou os fiéis a se opor ao terrorismo e "fazer frente àqueles que prejudicam nossa segurança e nossa estabilidade".

"Devemos agir com prudência contra o terrorismo, em todas as suas formas. Devemos combater as gangues criminosas (...) injustas e agressivas", acrescentou o mufti.

A multidão, estimada em mais de 2 milhões de pessoas, começou a subir o monte Arafat, também chamado monte da Misericórdia, onde o profeta Maomé teria feito seu último sermão há mais de 14 séculos.

A bordo de ônibus ou a pé, os fiéis percorriam lentamente os quilômetros que separam o monte do vale de Mina, onde a peregrinação teve início no sábado com uma jornada de oração e recolhimento.

Os homens vestiam o Irham branco, uma vestimenta de duas peças sem costura que cobre todo o corpo e que, segundo a tradição, será sua mortalha, enquanto as mulheres caminhavam totalmente cobertas, com exceção das mãos e do rosto.

"É um dia de enorme alegria", dizia um homem que chorava de emoção ao chegar ao monte Arafat, feliz por estar cumprindo uma peregrinação que todo muçulmano deve fazer pelo menos uma vez na vida, segundo os mandamentos do islã, caso possua meios e condições para tal.

Igualmente emocionada, a egípcia Suad Dasuqui, de 50 anos, pedia "a vitória do islã e a união dos muçulmanos".

Abrindo passagem em meio à multidão, voluntários ofereciam comida e água para os peregrinos.

Após a oração coletiva na mesquita de Namera, os peregrinos passarão o resto do dia rezando e implorando o perdão de Deus no monte Arafat, símbolo da espera pelo Juízo Final.

Na segunda-feira, os fiéis voltam a Mina para sacrificar um animal, normalmente uma ovelha, em memória a Abraão, que se dispôs a sacrificar seu filho em obediência a Deus. O rito marca o início da festa de Al Adha (o sacrifício).

Os peregrinos ainda passarão mais dois dias em Mina para o rito final: a lapidação de Satã, que consiste em lançar 21 pedras contra cada uma das três estrelas que simbolizam o diabo, construídas nos últimos anos entre blocos de cimento de 25 metros de altura.

É durante o rito da lapidação que acontece a maior parte dos acidentes da peregrinação. Em 2006, 364 pessoas morreram pisoteadas; em 2004, 251. Em 1990, a assustadora cifra de 1.426.

Para evitar que uma tragédia se repita este ano, as autoridades sauditas construíram pontes em três níveis ao redor do local do apedrejamento.

Concluído o ritual, os fiéis seguem para a Grande Mesquita de Meca, para "uma volta de adeus" em volta da Kaaba, construção cúbica negra na qual está inscrustada a Pedra Negra, relíquia sagrada dos muçulmanos.

Desde o começo da peregrinação deste ano, da qual participam cerca de 1,7 milhão de peregrinos estrangeiros e número semelhante de fiéis sauditas, "nenhum incidente foi registrado", segundo o governador de Meca, o príncipe Khaled al Faysal Ben Abdel Aziz.

ham-tm/ap

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