O major americano suspeito de abrir fogo contra colegas na base militar de Fort Hood, no Estado do Texas, é um muçulmano devoto, filho de pais palestinos, que estaria desesperado diante da perspectiva de ser enviado ao Iraque ou ao Afeganistão, segundo relatos publicados pela mídia dos Estados Unidos.

AP
Nidal Malik Hasan
Nidal Malik Hasan

Nidal Malik Hasan, de 39 anos, nasceu no Estado da Virgínia, de pais que emigraram de uma pequena cidade palestina próxima de Jerusalém.

Ele teria ingressado ainda jovem no Exército e seguido uma carreira de sucesso, formando-se em medicina e tornando-se psiquiatra especializado ultimamente em tratar de soldados que retornavam das guerras no Iraque e no Afeganistão.

Segundo o relato de parentes ao diário The New York Times, Hasan teria começado a colocar em dúvida sua carreira militar há alguns anos após começar a ser atacado por colegas por ser muçulmano.

Dispensa

A família diz que ele teria pedido também, sem sucesso, a dispensa do Exército, mas um porta-voz da corporação disse não poder confirmar ou negar a informação.

Nader Hasan, primo do major, disse que ele temia ser enviado ao campo de batalha por saber da realidade da guerra por meio dos relatos que ouvia ao tratar dos militares retornados do Iraque e do Afeganistão.

"Sabíamos nos últimos cinco anos que (ser enviado à guerra) era provavelmente seu maior pesadelo", disse o primo à TV Fox News.

Segundo um líder religioso muçulmano ouvido pelo jornal The Washington Post, o major participava dos serviços religiosos diários em uma mesquita da capital americana quando serviu em um hospital do Exército na cidade.

"Raramente discutíamos questões políticas", afirmou o imã Faizul Khan ao jornal. "Discutíamos principalmente questões religiosas, mas nada muito polêmico, nada extremista", disse.

Mas segundo o New York Times, o FBI (a polícia federal americana) estaria investigando recentemente postagens na internet de alguém identificado como Nidal Hasan, manifestando apoio a atentados suicidas.

Os investigadores disseram não poder confirmar se o autor dos comentários na internet é o major acusado de abrir fogo contra colegas na base militar do Texas, matando ao menos 13 e ferindo mais de 30 colegas.

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