Mubarak e Abbas se reúnem em meio a esforços para obtenção de cessar-fogo

Cairo, 10 jan (EFE).- Os presidentes do Egito, Hosni Mubarak, e da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, se reuniram hoje no Cairo em meio a uma intensa atividade diplomática que tem o intuito de alcançar um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza .

EFE |

Após a reunião desta manhã, Mahmoud Abbas afirmou que o objetivo neste momento é interromper a agressão israelense contra a Faixa de Gaza por meio da aplicação da resolução 1860 - aprovada na última quinta pelo Conselho de Segurança da ONU - e pela iniciativa apresentada por Mubarak.

Em entrevista coletiva concedida na capital egípcia, Abbas lamentou que não tenha sido aplicada a resolução 1860, rejeitada pelo Hamas e por Israel, e afirmou que "é necessário um acordo sem demora".

"A situação não permite que se perca tempo", disse o presidente da ANP para a imprensa.

Além disso, Abbas afirmou que a iniciativa proposta por Mubarak é "a ferramenta para a aplicação da resolução da ONU".

Os pontos básicos da proposta de Mubarak incluem uma trégua por um período limitado e a abertura dos postos fronteiriços para que se possa receber assistência humanitária em Gaza.

Também estabelece negociações para interromper o bloqueio que Gaza sofre há um ano e meio, garantias para impedir um maior agravamento do conflito e passos para conseguir a reconciliação palestina.

O presidente da ANP pediu em várias oportunidades o posicionamento de uma força internacional nos territórios palestinos "para defender a população".

Abbas também comentou que neste momento não mantém nenhum contato com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e afirmou que a prioridade é acabar com a situação atual.

A reunião entre Mubarak e Abbas coincide com a frenética atividade diplomática do Egito e da comunidade internacional para acabar com as hostilidades em Gaza.

Neste sentido, as autoridades egípcias e uma delegação de representantes do Hamas da Faixa de Gaza encerraram hoje no Cairo uma primeira rodada de negociações que continuará amanhã.

Fontes egípcias da área de segurança explicaram à Efe que as conversas continuarão logo que se unam à delegação do Hamas de Gaza dois membros do Escritório de Política no exílio, cuja sede está em Damasco.

Após os contatos de hoje, os cinco negociadores apresentarão ao Egito as observações de seu grupo sobre a iniciativa do presidente Hosni Mubarak.

Um líder do Hamas em Damasco - Mohammed Nazal - disse à emissora "Al Jazira" que as exigências de seu grupo são o fim das operações israelenses, o fim da presença israelense na Faixa de Gaza, a interrupção do bloqueio econômico imposto por Israel e a abertura dos postos fronteiriços.

No entanto, Nazal afirmou que a "discussão agora gira em torno de como acabar a agressão israelense contra o povo palestino. Qualquer outra questão tem que ser discutida posteriormente".

Apesar de Abbas, líder do Fatah, e o Hamas concordarem na necessidade de se alcançar um cessar-fogo imediato, eles mantêm profundas divergências em outros pontos, especialmente quanto à presença de tropas internacionais.

Enquanto Abbas quer uma mobilização de forças da ONU em Gaza e na Cisjordânia "para proteger o povo palestino", o Hamas considera que com sua presença estas forças defenderiam apenas Israel.

Neste sentido, Israel também rejeita a presença de soldados das forças de paz nestas áreas e só está a favor de seu posicionamento na fronteira entre Gaza e Egito para impedir a entrada de armas na região, algo que é rejeitado tanto pelo Hamas como pelo Fatah.

Por outro lado, o ministro de Relações Exteriores do Egito, Ahmad Aboul Gheit, se reuniu hoje no Cairo com seu colega alemão, Frank-Walter Steinmeier, para analisar a situação em Gaza, a resolução da ONU e a iniciativa egípcia.

Steinmeier, que conversou na capital egípcia com Mahmoud Abbas, deve viajar para Israel e para os territórios palestinos.

No âmbito desta intensa atividade diplomática, o Egito espera na semana que vem a visita do chefe da Direção Política do Ministério da Defesa de Israel, Amos Gilad, assim como do ministro de Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, que visitará a região para contribuir com o estabelecimento do cessar-fogo em Gaza, onde já morreram mais de 800 pessoas. EFE jfu/fal

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