Mubarak e Abbas se reúnem em busca da reconciliação dos palestinos

Cairo, 2 fev (EFE).- O chefe de Estado egípcio, Hosni Mubarak, analisou hoje com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, as vias para reconciliar os diferentes grupos palestinos e superar divisões que se intensificaram por causa do ataque israelense contra a Faixa de Gaza.

EFE |

Abbas se reuniu hoje no Cairo com Mubarak, em encontro convocado nas últimas horas e que terminou com poucos comentários oficiais.

O ministro de Assuntos Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheit, que também esteve presente na reunião, não deu muitos detalhes sobre a mesma e disse que só tinham sido analisados temas de interesse comum.

Desde que Israel lançou um ataque contra Gaza, em 27 de dezembro do ano passado, Abbas veio ao Egito várias vezes para falar com Mubarak, cujo país está há meses intermediando entre as forças leais ao líder palestino e grupos mais radicais, como o Hamas.

No entanto, na reunião de hoje, participou pela primeira vez o ministro de Assuntos Exteriores da Arábia Saudita, o príncipe Saud al-Faisal, que chegou ao Cairo para este encontro e que hoje mesmo viajou a Abu Dhabi junto com Gheit.

Segundo a agência de notícias estatal egípcia "Mena", a reunião de hoje entre Mubarak e Abbas se inscreve nos esforços egípcios para reconciliar as diversas facções palestinas, com vistas a uma futura negociação com Israel.

As conversas, de acordo com a mesma fonte, também se focaram na necessidade de consolidar o frágil cessar-fogo em Gaza, que está em vigor desde 18 de janeiro passado e que, desde então, foi rompido várias vezes pelas duas partes.

Na reunião de hoje no Cairo, também foi analisada a possibilidade de reabrir os postos fronteiriços de acesso a Gaza, que estão bloqueados desde que o Hamas assumiu o controle desse território, em meados de 2007.

O diálogo interpalestino para superar as diferenças entre o Hamas e o grupo Fatah foi lançado em março do ano passado, mas, desde então, a única reunião direta entre representantes dos dois grupos só aconteceu em 26 de janeiro passado, no Cairo.

Não foram anunciados resultados dessa reunião, que foi liderada, por Azam al-Ahmed, pelo Fatah, e por Jamal Abu Hashim, pelo Hamas.

Houve apenas o anúncio de um acordo para uma reunião posterior, sem data e ainda pendente.

No entanto, nos últimos dias, houve uma troca de declarações entre líderes do Hamas e da OLP que prejudicaram a vontade de reconciliação.

O líder máximo do Hamas, Khaled Mashaal, convocou ontem os palestinos para formar "uma nova autoridade palestina".

"Mantemos a teoria de que são as urnas que decidem para quem será a liderança palestina. E os palestinos deram sua confiança ao Hamas", disse Mashaal, em entrevista coletiva em Teerã.

No Cairo, Abbas advertiu ontem que "não haverá diálogo com os que rejeitarem a Organização para a Libertação da Palestina" (OLP), em referência ao Hamas.

A reunião de hoje no Cairo entre Abbas e Mubarak, que durou duas horas e meia, aconteceu com poucas horas após o anúncio da convocação e, segundo a rede de televisão catariana "Al Jazira", ocorreu a partir das declarações de Mashaal.

Aparentemente, Abbas decidiu adiar em um dia uma anunciada viagem à Europa a fim de assistir à reunião no Cairo. Logo após terminar seu encontro com Mubarak, o presidente da ANP voou para Paris.

O Hamas, um movimento criado em 1987 e que está incluído na lista de organizações terroristas da União Europeia, não faz parte da OLP, um grupo dominado pelo Fatah, dirigido por Abbas, eleito presidente palestino em 9 de janeiro de 2005.

No entanto, o Hamas reivindica legitimidade por ter vencido as eleições legislativas de 25 de janeiro de 2006. Em junho de 2007, o movimento islâmico tomou à força o controle da Faixa de Gaza, após duros combates com tropas leais a Abbas, o que intensificou as fortes divisões entre os grupos palestinos.

Espera-se que, nas próximas horas, delegados do Hamas se reúnam no Cairo com mediadores egípcios. Segundo um porta-voz, os representantes do movimento islâmico entregarão uma postura final sobre as negociações que buscam consolidar a frágil trégua que está vigente em Gaza.

Na Cidade de Gaza, o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, anunciou hoje que o movimento islâmico aceitará uma trégua de um ano em troca da suspensão do bloqueio ao território palestino, mas rejeitou um cessar-fogo de um ano e meio, como pede Israel.

Essa é a mesma oferta anunciada pelo Hamas em 26 de janeiro, em Damasco, e que um dia antes tinha sido adiantada em Gaza. EFE nq-ag/an

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG