Muammar Kadafi acusa Israel de estar por trás do conflito de Darfur

Trípoli, 25 fev (EFE).- O líder líbio e presidente em exercício da União Africana (UA), Muammar Kadafi, acusou as forças estrangeiras, e concretamente Israel, de estarem por trás do conflito que atinge a região sudanesa de Darfur, informou hoje a agência oficial líbia Jana.

EFE |

Em discurso em Trípoli por ocasião da inauguração de um fórum de cooperação entre a Unesco e a UA, Kadafi afirmou que existem "provas taxativas e inequívocas de que o problema de Darfur está sendo alimentado por forças estrangeiras".

Declarou que "importantes líderes da rebelião (sudanesa) abriram escritórios em Tel Aviv e mantêm reuniões com o Exército" israelense e instou o final das atuações do Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o presidente sudanês, Hassan al-Bashir.

"Caso Israel seja quem está por trás da tragédia de Darfur, que acontece no exterior, qual a razão de pedir contas a Bashir ou ao Governo sudanês", se perguntou o dirigente líbio, que pediu ao TPI, à ONU e à comunidade internacional que "voltem para esta parte que está por trás deste conflito dramático".

"Esta parte que transformou uma história banal de camelos entre duas tribos em um assunto internacional", declarou em referência ao conflito da região ocidental sudanesa.

O promotor-chefe do TPI, Luis Moreno Ocampo, pediu no dia 14 de julho uma ordem de detenção contra o presidente sudanês por sua suposta responsabilidade nos crimes de guerra cometidos durante o conflito de Darfur, cuja emissão ainda estudam os juízes do tribunal.

O conflito de Darfur começou quando dois grupos insurgentes, o Movimento de Justiça e Igualdade (MJI) e o Movimento para a libertação do Sudão (MLS), pegaram em armas em fevereiro de 2003 contra o regime de Cartum em protesto pela pobreza e a marginalização que sofriam os habitantes desta região.

Desde o início do conflito, cerca de 300 mil pessoas morreram e 2,5 milhões foram obrigadas a abandonarem suas casas, segundo cálculos da ONU.

O MJI e o Governo sudanês chegaram a um "acordo de boa vontade" no dia 17 de fevereiro em Doha que estabeleceu as bases para um cessar-fogo definitivo, embora este acordo tenha sido criticado pelo MLS. EFE fa/fal

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