Muamar Khadafi abandona irritado encontro da Liga Árabe

O presidente da Líbia, Muamar Khadafi, abandonou irritado nesta segunda-feira o encontro anual da Liga Árabe, realizado em Doha, no Catar. Ele causou controvérsia na abertura do evento ao dizer que o rei Abdullah, da Arábia saudita, era um produto britânico e um aliado americano.

BBC Brasil |

O desentendimento entre os dois líderes vem desde a invasão comandada pelos Estados Unidos do Iraque, em 2003, quando o rei saudita não se opôs aos argumentos americanos para justificar a guerra.

"Agora, após seis anos, está provado que você é um mentiroso", disse Khadafi, que, no entanto, afirmou estar disposto a se reconciliar.

Mas quando o emir do Catar, anfitrião do evento, desligou seu microfone, Khadafi se revoltou dizendo que ele não poderia ter seu direito de falar ao evento negado, deixando o recinto.

Síria x Israel

Ainda nesta segunda-feira, o presidente da Síria, Bashar Al-Assad, disse que Israel não é um parceiro sério dos árabes para a obtenção da paz no Oriente Médio.

"A paz para os israelenses é nada mais do que uma opção tática usada como cobertura para seus objetivos a longo prazo, baseados no princípio de não devolver o que é nosso por direito e que foi roubado", disse Assad.

O líder sírio disse que as recentes eleições em Israel, que devem conduzir Binyamin Netanyahu ao posto de premiê em um governo de direita, mostram que o país não está disposto a negociar a paz.

Uma proposta de paz para a região apresentada pelos árabes, em 2002, oferece a Israel reconhecimento total se o país desocupar as terras capturadas durante a guerra de 1967 na Cisjordânia, Colinas de Golã e Jerusalém oriental.

O plano ainda propõe o estabelecimento de um Estado palestino e uma "solução justa para o problema dos refugiados palestinos", baseado na ideia das pessoas retornando às suas casas ou recebendo indenizações apropriadas.

"Não temos um parceiro para a paz. A paz não pode ser obtida com um lado apenas, os árabes", disse ele.

"Israel não aceitará uma iniciativa baseada em termos que preveem a devolução do que é de direito para seus donos", disse Assad.

Sudão

Assad também pediu para que outros líderes árabes rejeitem o pedido de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) da ONU contra o presidente do Sudão, Omar Al-Bashir, acusado de crimes cometidos na região de Darfur.

O presidente sírio recomendou que o tribunal prenda primeiro "aqueles que cometeram atrocidades e massacres nos territórios palestinos, no Iraque e no Líbano".

Mas o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, presente no evento, criticou a expulsão recente de integrantes de agências assistenciais de Darfur, dizendo que "a ajuda não deve ser politizada".

Bashir é um dos 17 líderes árabes presentes no encontro, que deve discutir ainda a influência do Irã em grupos como o libanês Hezbollah e o palestino Hamas. O Irã não integra o grupo de 22 países.

Uma ausência notada no encontro anual é a do presidente egípcio Hosni Mubarak que estaria, segundo correspondentes, insatisfeito com a postura pró-iraniana do Catar.


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