MST intensifica ocupações para lembrar massacre de Eldorado do Carajás

Rio de Janeiro, 16 abr (EFE).- O Movimento dos Sem-Terra (MST) intensificou hoje as ocupações de fazendas e de repartições públicas em todo o país por conta do chamado abril vermelho, às vésperas de mais um aniversário do massacre de 19 trabalhadores rurais em Eldorado do Carajás, no Pará, anunciaram porta-vozes do grupo.

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Rio de Janeiro, 16 abr (EFE).- O Movimento dos Sem-Terra (MST) intensificou hoje as ocupações de fazendas e de repartições públicas em todo o país por conta do chamado "abril vermelho", às vésperas de mais um aniversário do massacre de 19 trabalhadores rurais em Eldorado do Carajás, no Pará, anunciaram porta-vozes do grupo.

Militantes do MST invadiram hoje uma fazenda do deputado federal Clodovil Hernandes (PR-SP) no estado de Goiás e ocuparam uma agência da Caixa Econômica Federal em Brasília e as sedes do Ministério da Fazenda e da secretaria de Agricultura de Porto Alegre.

Outro grupo bloqueou esta manhã a Via Dutra, que liga Rio de Janeiro e São Paulo, e chegou a provocar um engarrafamento de 5 quilômetros antes de ser expulso pela Polícia.

Com a ocupação da fazenda de Clodovil, os integrantes do grupo que diz representar cinco milhões de trabalhadores que lutam pela reforma agrária aumentaram para 35 o total das propriedades rurais invadidas este mês, segundo o balanço divulgado hoje pelo MST.

Deste total, 27 estão localizadas em Pernambuco, duas em Goiás e uma nos estados de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Alagoas, Rio Grande do Norte e Roraima.

"As manifestações são parte do dia nacional de luta pela reforma agrária, que exige o assentamento de 150 mil famílias que hoje vivem em acampamentos em todo o país", afirma o MST em seu site.

Na fazenda ocupada em São Paulo, de propriedade da AmBev, os militantes do MST derrubaram parte de uma plantação de eucalipto para supostamente substituí-la por uma de alimentos.

A série de invasões faz parte de outro "abril vermelho" que o grupo promove todos os anos para lembrar a morte de 19 integrantes do MST em Eldorado do Carajás, no Pará, em 17 de abril de 1996.

O massacre, ainda impune, ocorreu quando a Polícia recebeu ordens para desbloquear uma estrada na qual os sem-terra tinham montado barreiras para exigirem a desapropriação de uma fazenda vizinha.

"Após 12 anos do massacre no Pará que matou 19 trabalhadores rurais e deixou centenas de feridos e 69 mutilados, ainda estão livres os 155 policiais que participaram da operação", alega o MST.

O Movimento anunciou que as ocupações, protestos e manifestações deste mês se estenderam a 14 dos 27 estados do Brasil.

Em uma das maiores manifestações de hoje, cerca de mil integrantes do grupo tomaram uma sede da Caixa Econômica Federal em Brasília.

Os manifestantes exigem recursos da Caixa para a construção e reforma ainda este ano de mais de 100 mil casas destinadas a trabalhadores rurais já assentados.

Na terça-feira, cerca de 1.600 integrantes do grupo realizaram manifestações em seis municípios do estado de Santa Catarina.

"A reforma agrária está parada no país por causa de uma política econômica que beneficia as empresas do agronegócio, concentra terras e recursos públicos na produção de monoculturas para a exportação", disse José de Oliveira, membro da coordenação nacional do MST ao justificar os protestos.

"O Governo precisa apoiar a pequena produção agrícola para fortalecer o mercado interno, garantir a produção de alimentos para a população e preservar o meio ambiente", acrescentou. EFE cm/ev/fal

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