MSF diz que só 1 de cada 9 estupros é denunciado na África do Sul

Johanesburgo, 5 mar (EFE).- A organização Médico Sem Fronteiras (MSF) disse hoje que apenas um de cada nove estupros é denunciado na África do Sul, segundo o relatório Vidas Destruídas, que apresentou hoje em Johanesburgo.

EFE |

Segundo a diretora de operações da MSF-Bélgica, Meinie Nicolai, a cada ano a ONG atende 12 mil vítimas de agressões sexuais no mundo todo, embora na maioria dos países subdesenvolvidos não seja possível obter números exatos, já que a maior parte dos estupros não é denunciada.

"Em países como a África do Sul ou o Burundi, mais de 60% das agressões sexuais são contra menores, acontecem no ambiente doméstico e são praticadas por pessoas que deveriam proteger suas vítimas, como pais, tios ou vizinhos", afirmou Nicolai.

Na África do Sul, país com uma das mais altas taxas de criminalidade do mundo, 500 mil estupros acontecem por ano, dos quais pouco mais de 50 mil são denunciados.

Ainda segundo a MSF, dos casos relatados às autoridades, apenas 35% chegam aos tribunais.

"Em algumas áreas da África do Sul, as violações se tornaram algo comum, e, embora o Governo esteja adotando medidas positivas para acabar com este tipo de agressão, ainda há um longo caminho a ser percorrido", disse Genine Josias, coordenadora médica da MSF no país.

Os diretores da MSF também destacaram os abusos sofridos por homens, sobretudo crianças de menos de 11 anos, cujos casos se tornam praticamente invisíveis devido ao estigma em torno das violações contra pessoas do sexo masculino.

Apesar de as agressões sexuais se concentrarem principalmente em zonas de conflito, nos últimos meses um grande número delas aconteceu na região do rio Limpopo, que separa a África do Sul do Zimbábue e cruzado por seis mil imigrantes zimbabuanos todos os dias, destaca o estudo da ONG. EFE hc/sc

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