MSF denúncia que Sudão fez propaganda com sua expulsão do país

Paris, 22 abr (EFE).- A organização Médicos sem Fronteiras (MSF) denunciou hoje que sua expulsão do Sudão no mês passado envolveu uma manobra propagandística que, segundo a ONG, foi utilizada pelo regime de Cartum.

EFE |

"As autoridades sudanesas acusaram as seções expulsas da MSF de colaborar com o Tribunal Penal Internacional e fizeram uma campanha de propaganda com uma retórica antiocidental segundo a qual as ONGs seriam suas representantes", diz a entidade em comunicado.

As autoridades sudanesas iniciaram um procedimento de expulsão contra as divisões francesa e holandesa da MSF desde 4 de março, quando foi emitido um mandato de detenção contra Bashir.

A MSF afirmou que se demorou-se mais de um mês e meio para explicar as condições de sua expulsão é porque Cartum manteve retidos os passaportes de seus últimos expatriados, o que os impedia sair do país e os mantinha "em situação de reféns".

Além disso, lembrou que quatro voluntários de sua seção belga foram sequestrados e libertados três dias depois, feito que colocou dentro do "clima de hostilidade" que tinha sido gerado pelas autoridades sudaneses e divulgado pela imprensa do país.

"Hoje as possibilidades de intervenção em Darfur para uma organização independente de qualquer consideração política estão mais do que nunca em questão", lamentou a MSF, que destacou que as 16 ONGs expulsas desde a ordem de detenção do presidente sudanês cobriam cerca de 40% da ajuda humanitária nessa região em conflito.

Apesar de tudo, frisou que segue "disposta a mobilizar-se para oferecer uma assistência de urgência caso se volte a dar as condições de intervenção de forma neutra, independente e imparcial".

A MSF trabalhava no Sudão desde 1978 e, a partir de 2003, começou a intervir em Darfur. EFE ac/rr

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