MSF denuncia que 5 aviões não conseguiram aterrissar no Haiti

Genebra, 18 jan (EFE).- A ONG Médicos Sem Fronteiras, que está atendendo e operando milhares de feridos pelo terremoto no Haiti, denunciou hoje que cinco de seus aviões, que transportavam ajuda considerada vital, não puderam aterrissar em Porto Príncipe e foram desviados a Santo Domingo.

EFE |

"Tentamos por intermédio de todos os canais possíveis, os Estados Unidos (cujos soldados controlam o aeroporto da capital haitiana), a ONU e as autoridades haitianas, que permitissem a aterrissagem desses cinco aviões, mas foram desviados para Santo Domingo", disse o coordenador de emergências da MSF no Haiti, Benoit Leduc.

Em entrevista coletiva telefônica, Leduc afirmou que este fato "atrasou em pelo menos 48 horas" a chegada de material vital para os feridos que se amontoam nas ruas de Porto Príncipe e nas estruturas montadas pela MSF.

Dois dos aviões transportavam novas equipes da MSF para o Haiti, e os outros três transportavam material cirúrgico, remédios e outros equipamentos, como um hospital.

"Os dois últimos aviões foram desviados ontem sobre o aeroporto de Porto Príncipe, apesar de termos recebido garantias que poderiam aterrissar", assinalou Leduc.

O coordenador assinalou que o pessoal da MSF não consegue atender e operar os inúmeros feridos.

"Há muitas amputações, muitas operações cirúrgicas e nos faltam meios e remédios essenciais", assinalou.

Desde o terremoto do dia 12 de janeiro até o momento, a MSF já atendeu 3 mil pessoas e superou as 500 cirurgias, algumas delas em plena rua.

Segundo observam nas ruas, Leduc disse que "não estão realizando ações de distribuição", e o povo segue desesperado em meio as crescentes pilhagens e violência.

O terremoto de 7 graus na escala Richter ocorreu às 19h53 (Brasília) da terça-feira passada e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. Segundo declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive, acredita que o número de mortos superará 100 mil.

Conforme o Exército brasileiro, pelo menos 16 militares do país que participavam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

A médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti, também morreram no tremor. EFE vh/dm

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