Movimento Ocupe Wall Street deve influenciar eleições nos EUA

Debate sobre desigualdade de renda e escolha de vices democrata e republicano serão importantes para definir votos em 2012

Carolina Cimenti, de Nova York |

Dizer que a economia dominará o debate político das eleições presidenciais americanas pode parecer óbvio. Mas, segundo analistas políticos, o tema será ainda mais cobrado pelos eleitores neste ano por causa do histórico aumento da desigualdade entre ricos e pobres no país. O povo americano nunca foi tão pobre desde que o país passou a realizar o Censo, há 52 anos. Apesar disso, os EUA ainda são o país mais rico e com o PIB mais alto do mundo.

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AFP
Participante lê pôster do 'Ocupe Caucus de Iowa' em 28/12/2011. Movimento diz que quer mudar diálogo político
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“Em termos de concentração de riqueza, os EUA estão mais perto da Guatemala que dos países europeus, e existem mais de 40 países no mundo com um índice de mortalidade infantil mais baixo que os EUA”, afirmou Stephen Zunes, professor de política da Universidade de São Francisco. Ele explica que o debate econômico nessas eleições será mais profundo e não tratará somente de desemprego e crescimento. “As pessoas querem saber quem é que manda no país, o governo ou as grandes corporações, os banqueiros e os ricos?”, disse.

Por isso mesmo, os temas que deverão dominar o debate político, além da economia, são diretamente ligados às questões sociais. O movimento Ocupe Wall Street (OWS), apesar de desalojado nas principais capitais americanas, deve ajudar a colocar várias cartas na mesa. “Se falará muito de questões ambientais, casamento gay e aborto”, disse Justin Phillips, analista político da Universidade de Columbia. “Esses temas clássicos continuam a interessar os americanos e são cruciais para ajudar a definir se o candidato é mais ou menos radical. Os participantes e simpatizantes do movimento OWS certamente prestarão atenção nas posições dos candidatos”, afirmou.

Outra questão que receberá bastante atenção é a escolha do vice-presidente em cada partido. Até deixar a competição republicana , Herman Cain era cotado por diversos analistas políticos como o melhor vice para o partido, pois poderia atrair os votos afro-americanos e traria um viés empresarial para o governo. Do lado dos democratas, é difícil que Joe Biden, o atual vice-presidente, continue no cargo se o presidente Barack Obama for reeleito. Ele terá 70 anos em 2012 e será considerado velho demais para eventualmente concorrer à presidência nas eleições de 2016.

“O efeito criado quando os republicanos anunciaram Sarah Palin como vice em 2008 foi enorme, principalmente na mídia. Em vez de ter um vice discreto, que só trabalha nos bastidores, as eleições de 2012 pedem um vice ativo que consiga arrecadar votos por si”, avaliou Paul Frymer, pesquisador político da Universidade de Princeton.

Enquanto os republicanos brigam entre si para definir o candidato do partido, os analistas tentam descobrir quem será o vice escolhido para concorrer com Obama. Paul explica que a escolha do vice durante o segundo mandato é crucial, pois é ele quem tentará dar continuidade ao partido no governo quando o presidente não puder por lei concorrer a outra reeleição.

George H. W. Bush (1989-1993) foi vice de Ronald Reagan (1981-1989) no segundo mandato, e Al Gore, que concorreu à presidência em 2000, foi vice de Bill Clinton (1993-2001). “Se OWS continuar forte em 2012, os democratas precisarão de um vice jovem, que possa se comunicar com essa turma, mas que não seja um radical, para não perder votos mais conservadores. Os republicanos poderão escolher um candidato à presidência mais moderado e um vice mais radical para agradar aos eleitores do Tea Party”, disse Frymer, referindo-se à ala ultraconservadora do partido.

Hillary Clinton, atual secretária de Estado, já provou ter um eleitorado fiel, porém, segundo Zunes e Frymer, é uma política que divide opiniões, o que não ajudaria como vice na reeleição de Obama. “Eleitores de direita a veem como uma feminista radical, enquanto os de esquerda não conseguem perdoá-la por ter apoiado a Guerra do Iraque ”, afirmou Zunes.

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Em relação à política externa, a Guerra do Afeganistão e os riscos de o Irã produzir uma bomba atômica devem dominar as discussões. Além disso, os republicanos deverão trazer para o debate a necessidade de abolir diversas regulamentações para vários setores da indústria e de diminuir, ou acabar totalmente, com a reforma do sistema de saúde público, o grande feito do primeiro mandato de Barack Obama. “Juntamente com a economia, essa será a grande briga entre republicanos e democratas, exatamente por ter sido um fato histórico do governo atual”, disse Frymer.

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