Movimento conservador dos EUA faz 1ª convenção nacional

Começou nesta quinta-feira em Nashville, a capital do Estado do Tennessee, a primeira grande convenção nacional do movimento conservador americano batizado de Tea Party (Festa do chá, em inglês). A atração maior do encontro de três dias deve ser a ex-governadora do Alasca e ex-candidata a vice-presidente pelo Partido Republicano, Sarah Palin, que fará um discurso na noite de sábado.

BBC Brasil |

Mas o interesse no evento vai além da presença da estrela republicana.

Muitos analistas acreditam que o Tea Party poderá influenciar as eleições legislativas de novembro, quando parte do Congresso será renovada.

Desconfiança
O Tea Party reúne vários grupos que têm nomes e doutrinas variadas, mas que são unidos pela desconfiança em relação ao atual governo americano.

O movimento não tem sede, líder ou porta-voz. Seus adeptos se definem como cidadãos comuns que são contra o excesso de regulação e burocracia e acreditam que o governo extrapolou seus poderes constitucionais.

Eles começaram a chamar a atenção no ano passado, quando ganharam manchetes com uma série de protestos contra os pacotes de estímulo durante a crise econômica, o resgate aos bancos e contra o projeto de reforma da saúde do presidente Barack Obama.

O nome do movimento foi emprestado da Boston Tea Party (Festa do Chá de Boston), um protesto histórico de colonos americanos contra os colonizadores britânicos em 1773, quando caixas de chá da Companhia Britânica das Índias Ocidentais foram destruídas.

Divisões
Na última semana, trocas de acusações e algumas deserções deixaram claras as divisões dentro do movimento e chegaram a colocar em risco o sucesso da convenção.

Sites conservadores, como o RedState.org, criticaram o encontro como um esquema para ganhar dinheiro e lucrar com o movimento.

O preço dos ingressos, de US$ 549 - sem incluir hotel e passagens -, deve impedir que muitos dos cidadãos comuns adeptos do movimento possam participar da convenção.

O cachê de Sarah Palin, estimado em US$ 100 mil (valor não confirmado nem negado pelos organizadores), também provocou críticas.

Mas, apesar da polêmica, os ingressos estão esgotados. Em uma tentativa de contornar as críticas, os organizadores disseram que trechos do evento serão televisionados.

Força
O Tea Party faz questão de deixar claro que não está ligado a nenhum partido político, mas sua força vem chamando a atenção de muitos republicanos que, segundo analistas, devem tentar pegar carona no sucesso do movimento.

Uma pesquisa recente da rede de TV NBC News e do jornal Wall Street Journal revelou que 41% dos americanos têm uma visão positiva do Tea Party. Um percentual maior do que em relação aos democratas (35%) ou aos republicanos (28%).

Os ativistas do Tea Party rejeitam os republicanos mais moderados, e analistas afirmam que sua influência poderá levar o partido a uma guinada mais radical.

Foi com a ajuda de voluntários do Tea Party que o até então pouco conhecido republicano conservador Scott Brown impôs uma derrota histórica ao Partido Democrata, ao vencer a eleição em Massachusetts para a vaga no Senado que pertencia a Ted Kennedy, morto no ano passado.

Por enquanto, o movimento permanece sem uma liderança forte. Mas muitos políticos experientes já estão competindo pelo posto.

Segundo analistas, resta saber se, uma vez superado o amadorismo inicial, o Tea Party vai realmente se transformar em uma força de peso na política americana.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG