Moussavi rejeita comissão de investigação e exige repetição de eleições no Irã

Teerã - O candidato reformista à Presidência do Irã Mir Hussein Moussavi, derrotado nas eleições do último dia 12, rejeitou neste sábado participar da comissão especial proposta pelo Conselho de Guardiães para investigar as supostas irregularidades do pleito. Ele alegou que a comissão não seria imparcial.

Redação com agências internacionais |

A decisão de Moussavi, que já foi primeiro-ministro do Irã, veio a público poucas horas depois de o Conselho de Discernimento, órgão presidido pelo ex-presidente iraniano Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, respaldar a formação da citada comissão.

"O Conselho de Guardiães, e especialmente a comissão que pretendem criar, não vai oferecer um julgamento justo. Insisto na anulação dos resultados", afirma o candidato opositor em seu site, no qual ressalta também que "a solução mais adequada ao problema é a repetição das eleições".

AFP

Protestos já deixaram cerca de 20 mortos no País


O ex-primeiro-ministro, que enviou uma carta sobre o assunto ao conselho, insistiu que se deve formar uma comissão, mas uma "independente, aceita por todos os candidatos e apoiada pelos principais clérigos, que investigue também os protestos e os distúrbios que sacudiram o Irã após as eleições".

Os controvertidos resultados revelaram as divergências entre o líder supremo da Revolução Islâmica, Ali Khamenei, e o ex-presidente Rafsanjani, considerado um dos homens mais poderosos do país.

A máxima autoridade do Irã respalda a polêmica reeleição do presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad.

Moussavi vinha insistindo em que o pleito estava arranjado com semanas de antecedência e exigiu a repetição.

Hoje, o Conselho de Discernimento pediu ao ex-primeiro-ministro e aos outros dois candidatos derrotados, o reformista Mehdi Karrubi, e ao conservador Mohsen Rezaei, para que aceitem a comissão de investigação eleitoral sugerida pelo poderoso Conselho de Guardiães.

"O Conselho de Discernimento crê que a melhor via e a mais apropriada para resolver os conflitos são os canais legais", explica o órgão, que atua como mediador nas disputas entre o Parlamento e o Conselho de Guardiães, organismo responsável por validar os controvertidos resultados eleitorais.

O documento recomenda aos candidatos que "não percam a oportunidade de apresentar todos os documentos e provas. A investigação deve ser exaustiva e precisa".

O Conselho de Guardiães anunciou na sexta-feira que está disposto a formar uma comissão para apurar novamente 10% das urnas na presença de delegados dos três candidatos derrotados.

A decisão foi anunciada depois de o porta-voz do citado órgão, Abbas Ali Kadkhodaei, ter assegurado que as últimas eleições foram "as mais limpas" nos 30 anos de Revolução Islâmica e que não haveria necessidade de repeti-las, como pede a oposição.

Os candidatos derrotados apresentaram um total de 646 queixas por supostas irregularidades em favor de Ahmadinejad.

Rezaei expressou sua disposição em participar da citada comissão política caso os outros dois concorrentes derrotados também o façam.

"Acho que a comissão especial pode ser uma boa via de escape para a atual situação, sempre que os representantes dos três candidatos derrotados participem e haja um exame preciso de todas as queixas", afirmou em carta dirigida ao Conselho de Guardiães.

O site em língua persa "Tabnak", próximo a Rezaei, afirma que Karrubi também está disposto a participar da comissão.

Protestos

O Irã é palco de protestos e de uma violenta repressão desde o anúncio, há duas semanas, dos resultados do pleito presidencial, denunciado como fraudulento pela oposição.

Segundo números oficiais, pelo menos 20 pessoas morreram na repressão. Centenas foram detidas ou estão em paradeiro desconhecido.

O processo desencadeou a pior crise política desde a fundação da República Islâmica, há 30 anos.

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