Moussavi faz uma crítica sem precedente contra o aiatolá Khamenei

O candidato presidencial derrotado e líder dos protestos no Irã, Mir Hossein Moussavi, fez neste sábado em seu site uma crítica sem precedente contra o guia supremo Ali Khamenei, que, na véspera, validou a reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad nas eleições de 12 de junho.

AFP |

As declarações de Moussavi coincidiram com o oitavo dia de protestos pelos resultados eleitorais, em que a polícia reprimiu milhares de manifestantes que desafiaram a proibição de se reunir com cacetetes, jatos de água e gás lacrimogêneo.

Também em Teerã, no mausoléu do aiatolá Ruhollah Khomeini, pai da revolução islâmica de 1979, que derrubou o regime do último xá, Mohamad Reza Pahlavi, um homem-bomba detonou seus explosivos e feriu pelo menos um peregrino, segundo a polícia. A imprensa cita até três feridos.

O mausoléu é um grande complexo de vários edifícios. A agência Mehr informou que o ataque aconteceu na entrada do mausoléu, onde os devotos deixam os calçados antes de entrar no templo. A explosão danificou parte do local.

Em uma mensagem publicada no site de sua campanha, Moussavi, um conservador moderado, acusa o líder religioso, sem citar o nome do aiatolá Ali Khamenei, de ameaçar o caráter republicano da República Islâmica e de ter como objetivo a imposição de um novo sistema político.

"Todas as contagens (de irregularidades), às quais se acrescentam as demais mencionadas em minhas cartas anteriores, são suficientes para anular a eleição", afirma Moussavi em uma mensagem enviada ao Conselho dos Guardiães.

Nenhum político iraniano jamais ousou fazer uma crítica de tal importância ao aiatolá Khamenei desde que ele assumiu a função de guia supremo em 1989.

O guia supremo, a principal autoridade do Estado, declarou na oração de sexta-feira que a vantagem de Ahmadinejad sobre os adversários na eleição de 12 de junho não pode ser explicada por uma fraude.

Mas o Conselho dos Guardiães informou neste sábado estar disposto a realizar uma recontagem de 10% dos votos, escolhidos de modo aleatório, antes de anunciar a decisão até quarta-feira.

Já o presidente Ahmadinejad agradeceu ao guia supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, pela "boa decisão", segundo as agências iranianas, depois que este último validou sua reeleição.

"Guia, como uma pequena criança e servidor escolhido pela grande nação iraniana considero necessário agradecê-lo cordialmente pela boa decisão na oração de sexta-feira", afirma o presidente em uma mensagem dirigida ao aiatolá.

As manifestações, sem precedentes desde a revolução islâmica de 1979 que derrubou o regime do xá Reza Pahlevi, prosseguiram neste sábado, apesar das advertências das autoridades de que as mesmas seriam reprimidas.

Na tarde deste sábado, a polícia antidistúrbios iraniana que os manifestantes da oposição chegassem à praça Enqelab de Teerã, agredindo alguns deles, informou à AFP uma testemunha.

"A polícia antidistúrbios proíbe as pessoas de se aproximar da praça Enqelab, na qual está prevista uma manifestação, e bloqueia a passagem das pessoas nas ruas, empurrando as pessas na calçada e com agressões", declarou a testemunha.

Outra testemunha afirmou que entre 1.000 e 2.000 manifestantes estavam diante da Universidade de Teerã, perto da praça Enqelab. Segundo ela, a polícia utiliza jatos d'água e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os presentes.

Uma terceira testemunha afirmou que milhares de manifestantes se reuniram na praça Azadi, a quatro quuilômetros da praça Enqelab.

Os manifestantes se reuniram em silêncio, mas esporadicamente eram ouvidos gritps como "morte ao ditador", em referência a Ahmadinejad.

Pelo menos uma pessoa foi ferida a tiro, no ombro, durante as manifestações em Teerã.

A imprensa estrangeira não está autorizada a cobrir os acontecimentos que não são autorizados pelo ministério iraniano da Cultura e Orientação Islâmica.

A validade da vitória de Ahmadinejad na eleição de 12 de junho é questionada pelos demais candidatos, incluindo seu principal adversário Mir Hossein Moussavi.

Alguns líderes da oposição chegaram a afirmara que as manifestações em Teerã haviam sido suspensas, em consequência da proibição oficial, mas o conservador moderado Moussavi não se pronunciou a este respeito.

O chefe de polícia Ahmadi Moghadam advertiu em uma carta enviada a Moussavi que qualquer manifestação seria reprimida.

Há uma semana, Teerã e outras cidades do Irã vivem os maiores protestos em 30 anos de República Islâmica, protagonizadas pelos seguidores dos principais rivais de Ahmadinejad, Moussavi e Mehdi Karubi, que pedem a anulação da eleição por fraude.

Moussavi e Karubi não compareceram neste sábado a uma reunião com o Conselho dos Guardiães, órgão responsável por validar as eleições e analisar as denúncias de irregularidades.

Por fim, o presidente Barack Obama voltou pedir neste sábado ao governo do Irã que detenha todas as ações violentas e injustas contra seu próprio povo, informou a Casa Branca.

"Pedimos ao governo do Irã que acabe com todas as ações violentas e injustas contra seu povo", afirmou Obama por meio de um comunicado, no qual eleva o tom da reação de Washington ante os enfrentamentos registrados em Teerã.

"O governo do Irã deve entender que o mundo está olhando. Lamentando cada umda das vidas inocentes perdidas", concluiu.

afp/fp/cn

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