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Mostra kitsch em Versalhes escandaliza França

PARIS ¿ Uma exposição do artista pop americano Jeff Koons, conhecido por suas criações de estilo kitsch com aspiradores de pó, lagostas gigantes e coelhos infláveis, no Palácio de Versalhes, na França, está causando polêmica no país. Para alguns franceses, obras desse estilo não deveriam ser exibidas em um dos locais mais emblemáticos da história do país, centro do Antigo Regime da monarquia francesa a partir do século 17.

BBC Brasil |

Uma manifestação contra a exposição reuniu na última quarta-feira uma centena de pessoas em frente ao Palácio de Versalhes, monumento protegido pelo patrimônio mundial da Unesco.

O presidente de honra da Fundação do Patrimônio francês, Edouard de Royère, criticou a "intrusão" de um artista contemporâneo em um "local mágico como Versalhes".

Mas para o diretor do Palácio de Versalhes, Jean-Jacques Aillagon, ex-ministro da Cultura durante a Presidência de Jacques Chirac, "Versalhes deve ser um lugar cultural vivo e não ficar imerso no formol".

"Rabbit" ("Coelho"), de 1986 /
Jeff Koons, Éditions Xavier Barral

"Kitsch"

Jeff Koons, 53 anos, é um dos artistas vivos mais cotados do mundo. Algumas de suas obras são avaliadas em mais de US$ 20 milhões. A exposição "Jeff Koons Versailles" apresenta 17 obras monumentais do artista, realizadas entre os anos 80 até os dias de hoje.

Entre elas, uma de suas criações mais famosas, "Rabbit", de 1986, um coelho "inflável" em inox. A obra está exposta no salão Abondance, uma das salas que compõem o Grande Apartamento do Rei, uma série de sete salas onde eram realizadas audiências e atividades de diversão da corte.

No salão Apolo, deus do sol na mitologia, o emblema de Luís 14 (também chamado Rei Sol), Koons exibe com certa audácia sua obra "Auto-retrato", uma escultura em mármore.

Em uma das salas do Apartamento da Rainha, que teve como última ocupante Maria-Antonieta, está sendo exibida uma instalação composta por vários aspiradores de pó e máquinas de lavar carpete, iluminados por lâmpadas de neon.

Uma gigantesca lagosta em alumínio, aço e vinil, inspirada em bóias de plástico para piscina, foi pendurada no teto do salão de Marte. Na célebre Galeria dos Espelhos é possível ver a obra Lua, em aço com a cor azul.

Pônei-dinossauro

A exposição também continua no famoso jardim do Palácio de Versalhes, onde está exibida a escultura "Split-Rocker", composta de 100 mil flores que formam um animal cuja cabeça mistura as formas de um pônei e de um dinossauro.

Koons escolheu as obras da exposição em função da decoração e do tema das pinturas das salas onde elas seriam expostas. O artista, que já foi casado com a atriz pornô italiana Cicciolina, é conhecido por utilizar e se inspirar em objetos populares do cotidiano, como eletrodomésticos, bugigangas e diferentes souvenirs kitsch, como estatuetas do cantor Michael Jackson em porcelana.

Koons prefere não comentar a polêmica em relação à exposição e diz apenas que ela representa "um sonho que se tornou realidade". A mostra Jeff Koons Versailles fica em cartaz até o dia 14 de dezembro.

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