Mostra em Berlim explora relações entre a A.Latina e as 2 Alemanhas

Patricia Baelo. Berlim, 3 set (EFE).- O Instituto Ibero-Americano de Berlim explora, até o final de outubro, as relações entre a América Latina e as antigas Alemanhas oriental e ocidental, através de uma mostra que reúne documentos bibliográficos e visuais inéditos.

EFE |

A exposição "Deutschlandbilder-Lateinamerikabilder" ("Imagens da Alemanha-Imagens da América Latina") tem o objetivo de percorrer por diferentes períodos da história alemã, desde 1949, até 1989, mas do ponto de vista da cultura hispano-americana, o verdadeiro epicentro da exposição.

"São dois objetivos: mostrar pela primeira vez, e de maneira conjunta, os arquivos da biblioteca do Instituto Ibero-Americano e comemorar, à nossa maneira, o 20º aniversário da queda do muro de Berlin", explicou Peter Birle à Agência Efe, um dos comissários e responsável pela exposição.

Assim, a mostra é estruturada em diferentes etapas, que remontam as relações políticas, econômicas, os progressos científicos, o legado literário, o cinematográfico, a imprensa e os movimentos populares e solidários da época, tanto na Alemanha, quanto na América Latina.

A exposição relembra eventos únicos da época e que significaram todo um giro na política externa alemã, como o início das relações diplomáticas da República Federal Alemã (RFA, ocidental) com o Brasil, Argentina, e Uruguai, em 1951, ou as várias visitas de Fidel Castro, em tempos da comunista República Democrática Alemã (RDA, oriental).

Fotografias imortalizam momentos que ficaram para sempre na memória de muitos, como o encontro do ex-presidente da Argentina Arturo Frondizi com o então chanceler alemão Konrad Adenauer e com o ex-ministro da Economia Ludwig Erhard, em 1960.

No âmbito econômico, a mostra apresenta um setor especialmente dedicado aos produtos importados, onde se pode encontrar desde açúcar até café, passando por bananas, cacau e charutos cubanos, com selo de autenticidade.

Algumas curiosidades, como um cartaz de um simpósio sobre a América Latina realizado em Berlim do dia 24 a 28 de maio de 1982, também aparecem na exposição.

Na parte dedicada à literatura, a mostra explica, entre outras coisas, que o grande impulso da bibliografia latino-americana na Alemanha aconteceu durante as décadas de 70 e 80, e que teve seu ponto alto na Feira do Livro de Frankfurt de 1976.

Obras representativas de Jorge Amado, do Prêmio Nobel guatemalteco Miguel Ángel Asturias, ou do peruano Manuel Scorza são expostas junto a um selo exclusivo com o rosto do poeta chileno Pablo Neruda, que foi impresso nos tempos da RDA.

Sobre o cinema, a mostra chama atenção para o período entre 1950 e 1965, quando 90 produções latino-americanas chegaram às salas da Alemanha, em sua maioria brasileiras, mexicanas e argentinas.

Além disso, mostra que o primeiro diretor latino homenageado no Festival de Berlim foi o mexicano Alfonso Corona Blake, por seu filme "O Caminho da Vida", em 1956.

A exposição exibe ainda o documentário para crianças e jovens "Isabel auf der Treppe" ("Isabel na Escada"), de quase 70 minutos de duração e dirigido pela alemã Hannelore Unterberg, em 1983, que conta a história de exilados chilenos que escolheram a RDA como destino, a partir de 1973, com o início da ditadura de Augusto Pinochet.

Além disso, muitos recortes de jornais mostram que a América Latina ocupava grande espaço da imprensa alemã, que dava especial atenção para economia e política, e menos para cultura, arte ou esporte. EFE pb/pd

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